Intimista, orgânico e cheio de personalidade, o projeto aposta na força das relações familiares.

O novo projeto do Porta dos Fundos aposta em um território que, à primeira vista, parece simples, mas carrega uma potência interessante: o encontro entre gerações. Em Ela É Pior Que Eu, o formato 100% feminino ganha força ao colocar lado a lado Clarice Falcão e Bella Camero junto de suas mães, criando uma dinâmica que mistura memória, identidade e um certo caos afetivo que atravessa qualquer relação familiar.
O roteiro acerta ao fugir de respostas prontas. As mães aqui não ocupam aquele lugar tradicional e previsível, pelo contrário, são figuras que tensionam expectativas e ajudam a construir um espaço onde o passado é revisitado com honestidade, mas também com leveza. O contraste entre as criações, as histórias de infância e adolescência e as diferentes formas de lidar com essas experiências vira o verdadeiro motor do projeto. Não é sobre chegar a conclusões, mas sobre compartilhar trajetórias.
Esteticamente, o programa lembra o formato intimista de Não Importa da produtora, mas com uma proposta mais narrativa e menos dependente de interação externa. Aqui, tudo gira em torno da troca entre as quatro mulheres, e funciona. Existe uma fluidez natural na montagem, com cortes que respeitam o tempo das falas e evitam qualquer sensação de artificialidade. A conversa segue orgânica, como se o espectador estivesse apenas acompanhando um encontro que já aconteceria de qualquer forma.

A química entre elas é, sem dúvida, um dos grandes acertos. Há uma sensação constante de conforto, mas também de surpresa, principalmente quando surgem histórias que revelam lados menos óbvios dessas relações. Esse equilíbrio entre intimidade e espontaneidade sustenta o interesse e impede que o formato caia na monotonia.
Inicialmente, o novo programa/podcast se apresenta como um projeto simples na estrutura, mas inteligente na execução. Ao apostar na escuta e na troca genuína, o programa encontra sua força justamente onde muitos formatos falham: na autenticidade. Ainda há espaço para expandir as camadas e talvez explorar conflitos com mais profundidade, mas o ponto de partida é sólido e, acima de tudo, envolvente.
Com estreia em 28 de abril, o programa será exibido no canal FAST PortaTV, além do YouTube e Spotify