Com uma narrativa leve e direta, o filme mostra que o amor pode ser tão complicado quanto um feitiço mal lançado.

As comédias românticas sempre buscaram novas formas de explorar os altos e baixos dos relacionamentos. Em Trago Seu Amor, essa missão ganha uma camada extra de fantasia ao apresentar uma protagonista capaz de manipular sentimentos através da magia. O resultado é uma produção leve, divertida e que encontra no carisma de seus personagens sua maior força.
A trama acompanha Mia, interpretada por Giovanna Grigio, uma bruxa que possui um dom bastante peculiar: através de um beijo, ela consegue fazer alguém se apaixonar por ela ou reacender o amor pela última pessoa que ocupou seu coração. Ao lado de seu melhor amigo Ariel, vivido por Diego Martins, ela transforma essa habilidade em um negócio esotérico voltado para pessoas desesperadas para reconquistar seus antigos amores.
O conceito poderia facilmente se perder em regras complexas ou em excessos sobrenaturais, mas o roteiro toma uma decisão inteligente ao simplificar sua proposta. O elemento mágico está presente durante toda a narrativa, mas nunca se torna mais importante do que os próprios relacionamentos humanos. A bruxaria funciona como uma ferramenta para discutir sentimentos, inseguranças, paixões e as consequências das escolhas amorosas.
Grande parte do sucesso do filme está na dupla protagonista. Giovanna Grigio entrega uma Mia carismática, divertida e fácil de acompanhar, enquanto Diego Martins transforma Ariel em um personagem igualmente cativante. Juntos, os dois constroem uma química extremamente natural, fazendo com que suas interações estejam entre os melhores momentos da produção. Seja nas cenas mais engraçadas ou nas mais emocionais, a conexão entre os atores sustenta boa parte do envolvimento do público com a história.

Outro mérito do longa está em sua capacidade de ir direto ao ponto. Em um período em que muitas produções se perdem em inúmeras histórias paralelas, a narrativa entende que sua força está justamente no foco. O elenco enxuto trabalha a favor da narrativa, permitindo que os personagens principais recebam o desenvolvimento necessário sem que a trama se disperse em conflitos secundários pouco relevantes.
Mesmo quando surgem subtramas, elas servem para complementar a jornada de Mia e reforçar os temas centrais da história. Isso cria um ritmo agradável e evita a sensação de que o filme está apenas preenchendo tempo de tela. A narrativa sabe exatamente qual história quer contar e permanece fiel a ela até o final.
Visualmente, a produção também apresenta bons resultados. Os cenários e locações ajudam a construir uma atmosfera acolhedora, reforçando o tom romântico e fantástico da obra. Existe um cuidado evidente em fazer com que o universo da bruxaria pareça integrado ao cotidiano dos personagens, criando uma ambientação que funciona sem exigir grandes explicações.
Aliás, um dos pontos mais interessantes do roteiro é justamente a forma didática com que apresenta seus elementos sobrenaturais. As regras da magia são estabelecidas de maneira clara, permitindo que o público compreenda rapidamente o funcionamento desse universo sem que a narrativa precise interromper seu ritmo para longas exposições. É uma solução simples, mas bastante eficiente.
Seu objetivo é contar uma história divertida, romântica e acessível, utilizando a magia como uma metáfora para os desafios do amor. E ao manter esse foco, o filme encontra sua identidade e entrega uma experiência agradável, conduzida por personagens carismáticos e uma dupla de protagonistas que sustenta toda a narrativa com muito charme.
Nota: 3/5
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