“Se preparem pra alguns momentos de caos. Mas todas ali tem muito interesse em escutar, de verdade, o que a outra tá falando” comenta Bella Camero sobre Ela é Pior Que Eu novo formato do Porta dos Fundos, que tem elenco 100% feminino e já está disponível para ver ou ouvir.

O Porta dos Fundos estreia, no dia 28 de abril, “Ela É Pior Que Eu”, primeiro formato idealizado e protagonizado por um elenco 100% feminino na história da produtora. Apresentado por Clarice Falcão e Bella Camero, ao lado de suas mães, o programa será exibido no canal fast PortaTV, no Spotify e também no YouTube do grupo. E o site conversou com uma participantes, a atriz Bella Camero, onde ela comenta sobre o projeto e formato, as relações com as mães, gerações e os contrastes de criações. Leia a entrevista abaixo.
Bruno: O programa parece simples, mas é muito sustentado pela escuta. Foi difícil encontrar esse equilíbrio entre naturalidade e construção narrativa?
Bella: Acho que a gente ainda tá longe desse equilíbrio, viu? Se preparem pra alguns momentos de caos. Mas todas ali tem muito interesse em escutar, de verdade, o que a outra tá falando. E em acompanhar até onde aquele pensamento vai, especialmente quando essas cabeças se encontram.
Bruno: Em que momento da gravação vocês se surpreenderam genuinamente com algo que suas mães disseram?
Bella: Nossa, teve o episódio sobre “linguagem” que quando eu percebi minha mãe tava falando de comunicação entre pedras e minerais. Aí você vê que a viagem pode ser longa.
Bruno: Revisitar histórias da infância mudou a forma como vocês enxergam a própria criação hoje?
Bella: Sem dúvida. Sempre que surge alguma história de infância, percebo como o ponto de vista de cada uma, sobre um mesmo momento, pode ser completamente diferente. Tanto mães quanto filhas têm suas próprias leituras do por que fez tal coisa ou de como aquilo marcou. E é bom entender o que estava passando pela minha mãe naquele momento, o que guiava as escolhas dela.
Bruno: O projeto mostra claramente diferenças de geração. O que mais chocou vocês nesse contraste?
Bella: Acho que não é nem um choque direto, mas uma curiosidade constante. Algumas referências de mundo são diferentes, os códigos, até a forma de nomear as coisas. O que me choca mesmo são os caminhos da cabeça de cada uma pra refletir sobre a vida. São pessoas bem peculiares ali…
Bruno: O quanto dessas conversas foi guiado e o quanto simplesmente aconteceu?
Bella: Nossas roteiristas fazem provocações e a gente vai também puxando temas que já rondam a nossa cabeça, histórias que lembramos e engatamos em conversas sobre isso pra ver o que pode render. As roteiristas, coitadas, tendo que acompanhar nossos fluxos para depois dar alguma forma pra aquilo nos episódios. Mas, na hora da gravação, pode ir pra qualquer direção.
Bruno: Houve algum momento em que vocês pensaram: “isso não vai entrar”, mas acabou ficando?
Bella: Eu penso isso a cada segundo. Às vezes acho que o episódio vai ter que ter uns 10 minutos, se cortar todas as barbaridades que a gente fala e algumas histórias proibidas que aparecem haha