Cinema, Crítica de Filme

| Carro Rei | Crítica

Carro Rei de Renata Pinheiro usa a relação homem e máquina para fazer um retrato do país atual. Confira a crítica completa.

A relação homem e máquina é algo conhecido na nossa sociedade, principalmente entre os homens. É fácil encontrar um que cuida melhor do carro do que a própria saúde, Carro Rei explora essa relação, mas aqui é apenas um pretexto para algo maior.

Uno (Luciano Pedro Jr) é um jovem menino que tem a estranha habilidade de conversar com carros desde sua infância. Um dia, as autoridades políticas de sua cidade passam uma lei que pode fazer com que a empresa de seu pai venha a falir. Com a proibição da circulação de carros antigos nas ruas da cidade, Uno recorre ao seu melhor amigo de infância: um carro. Junto com seu tio Zé Macaco (Matheus Nachtergaele), Uno transformará um simples automóvel no Carro Rei – um carro que pode falar, ouvir e ter sentimentos.

O retrato regional começa no momento em que a lei é criada para tirar esses carros da rua, onde percebemos que há escolhas políticas, sem avaliar se as pessoas que utilizam esses carros, principalmente as que sustentam uma família. Conforme temos o avanço da história vamos percebendo o retrato brasileiro que o roteiro quer abordar.

E em um filme como esse, precisamos de diálogos entre homem e máquina, as escolhas para isso são interessantes, seja pela incorporação da ‘voz da cabeça’ pelo protagonista, as respostas com luz e sons e ainda uma voz diferente para cada carro. São escolhas simples que ficaram ótimas na tela.

Aliado a isso temos as performances de Jules* Elting e Matheus Nachtergaele que trazem mais detalhes a essa loucura toda que é esse filme. Jules* traz uma aura teatral para suas cenas e um dos personagens que cresce no longa. E Matheus tem uma presença caricata, que lembra um capanga das narrativas clássicas do terror.

As apresentações de dança e intervenções inicialmente parecem deslocadas, já que algumas começam rapidamente, como em um musical. Elas agregam em toda essa ficção científica que o filme propõe. Além de serem bem filmadas e terem alguns easter eggs nestes momentos.

A proposta do retrato brasileiro é preciso. Há como identificar o poder do governo neste filme, seus interesses e o que a nova lei implica na pequena cidade. Principalmente em valorizar um grupo para crescer na política na região, mesmo com os carros diferentes que este longa possui, temos impressões de realidade.

E os designs dos carros, principalmente do Carro Rei ficam ótimos na tela, principalmente por tentar personalidade a eles. Cada desenho mostra a personalidade do veículo, as cenas de montagem também servem para elevar este espírito. A trilha aliada a performance de dança e Matheus são os pontos altos.


Se houvesse a categoria Melhor Filme doido nacional, Carro Rei venceria sem problemas, já que tem uma boa história, cenas retiradas da ficção científica, uma narrativa política forte e ainda os carros que são personagens fortes. Só não vai tentar conversar com o seu carro depois desse filme.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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