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Toy Story 5 | Crítica

Com Jessie assumindo o protagonismo, a franquia encontra fôlego para discutir infância, tecnologia e amadurecimento. 

Crédito: Disney/Pixar. © 2025 Disney/Pixar. All Rights Reserved.

É quase um consenso entre os fãs que a franquia Toy Story deveria ter sido encerrada no terceiro filme. O desfecho da trilogia, marcado pela despedida de Andy e pelo início de uma nova fase com Bonnie, parecia fechar perfeitamente a jornada dos personagens. Por isso, mesmo com a chegada de Garfinho e o retorno de Betty, Toy Story 4 dividiu opiniões e deixou parte do público com a sensação de que aquela história já havia chegado ao fim.

Quando a Pixar anunciou um quinto filme, a reação foi de preocupação. Afinal, até onde seria possível levar essa franquia sem comprometer o legado construído ao longo de décadas? Porém, já assistimos e, não parece, mas é sério (Sim, fizemos esse trocadilho) Toy Story 5 é exatamente o tipo de continuação que ninguém pediu, mas que consegue justificar sua própria existência.

Em um mundo cada vez mais dominado pelas telas, Bonnie continua encontrando alegria em brincar com seus brinquedos. No entanto, sua dificuldade em fazer amigos leva seus pais a presenteá-la com um tablet. Para o desespero de Jessie e companhia, o tablet Lilypad rapidamente se torna o centro das atenções da menina. Agora, os brinquedos precisam encontrar uma forma de continuar relevantes antes que sejam deixados para trás de vez.

Crédito: © 2025 Disney/Pixar. All Rights Reserved.

O primeiro grande acerto dos diretores Andrew Stanton e McKenna Harris é colocar Jessie no centro da narrativa. Apesar de ser uma das personagens mais carismáticas da franquia, a vaqueira sempre ocupou um papel secundário em relação a Woody. Aqui, ela assume a liderança dos brinquedos e ganha uma jornada própria, permitindo que a série explore novos caminhos sem depender exclusivamente do velho cowboy.

Durante essa trajetória, Jessie acaba reencontrando partes de seu passado ao chegar à casa de Emily, sua antiga dona. O desenvolvimento da personagem funciona justamente por conectar temas já conhecidos da franquia, abandono, pertencimento e amizade e a novas questões relacionadas ao crescimento e às mudanças da infância.

Lilypad surge como a antagonista da história e representa uma preocupação bastante atual. Ainda assim, o roteiro evita transformar a tecnologia em uma vilã absoluta. Pelo contrário, a animação adota uma abordagem equilibrada ao mostrar que a tecnologia pode coexistir com a brincadeira tradicional. Essa visão aparece também nos novos personagens, como Amigo Rolinho, Atlas e Snappy, brinquedos que unem diversão e recursos tecnológicos sem abandonar sua essência.

Para a tristeza de muitos fãs, Woody e Buzz ocupam papéis claramente secundários. Woody retorna para ajudar os antigos amigos, enquanto Buzz vive uma trama mais leve envolvendo sua relação com Jessie. Embora suas participações sejam limitadas, a decisão faz sentido dentro da proposta do filme, que busca abrir espaço para novos protagonistas.

Crédito: © 2025 Disney/Pixar. All Rights Reserved.

A versão brasileira continua sendo um dos grandes destaques da franquia. Mabel Cezar, Marco Ribeiro e Guilherme Briggs retornam aos seus personagens com a mesma qualidade de sempre, enquanto Maísa Silva e Rafael Infante se integram ao elenco de vozes de forma bastante eficiente.

Mais do que uma simples continuação, Toy Story 5 utiliza seus personagens para discutir temas contemporâneos como dependência tecnológica, bullying, amadurecimento e as transformações naturais da infância. Ao invés de apenas revisitar a nostalgia do público, o filme encontra uma maneira relevante de dialogar com uma nova geração, provando que ainda havia histórias interessantes para contar nesse universo.

Nota: 4/5

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