Cinema, Crítica de Filme

| Poropopó | Crítica

Em um longa divertido e encantador, Poropopó explora o universo dos palhaços de uma forma rara, contando uma narrativa envolvente

Crédito: Juliana Ferreira

Em busca de uma vida melhor, uma família de palhaços deixa o circo e passa a morar na cidade, enfrentando dificuldades, preconceitos e autoritarismo com muito humor e magia ancestral.

Quando pensamos em um filme com palhaços, ou que tem um personagem tem essa profissão, imaginamos que teremos um momento civil, onde ele tem sua vida, e um segundo onde ele se torna o personagem, porém Poropopó não possui isso. Temos personagens palhaços por toda a história, até mesmo os coadjuvantes são palhaços. 

Isso é o grande destaque do filme. A filmagem feita pelo diretor Luis Igreja sabe utilizar os elementos que personagens como estes trazem em cena, seja pelos sons que são exagerados, ou mudando a velocidade da cena.

A montagem final entende a narrativa principal e mostra um resultado diferente, trazendo os personagens para o grande centro, a edição entende quando exagerar, e quando mostrar de uma forma mais orgânica o que ocorre. 

Crédito: Juliana Ferreira

O roteiro de Denise Bernardes e Rodrigo Parra além de história família e para várias idades, traz em meio a suas cenas diversas inspirações e referências, principalmente a filmes mudo e narrativas de famílias, como Romeu e Julieta. São pequenos easter eggs, que interagem bem os  elementos em cena.

A forma com que nos conectamos com a história, mostra que há cuidados com a linguagem corporal dos palhaços, há poucas falas, quase nenhuma na verdade. Para justamente abrir espaço para os trejeitos e formas de comunicação que apenas um palhaço pode realizar.

Mesmo com um filme recheado de palhacices, digamos assim, temos uma narrativa familiar conhecida, seja por Letícia Pedro (Detetives do Prédio Azul) que busca na nova cidade, fazer novos amigos e ajudar a família, na nova vida fora do circo.

Crédito: Juliana Ferreira

E essa transição entre narrativas, mostra a família do circo, há elementos da cooperação, além das características de cada personagem dentro do circo. 

Mesmo com uma trama de circo, há o cuidado de trazer de normalidade e uma narrativa central que faz sentido para o espectador que não está familiarizado, com longas com palhaços nos papéis principais. O roteiro entende que elementos comuns ajudam na compreensão.

Usar o cinema mudo com um centro, e ao mesmo tempo encantar e se fazer entender, é algo raro. E temos aqui uma história que encanta adultos e crianças, além de trazer elementos com sonhos, criatividade, força e encanto, coisas que a magia do circo podem proporcionar. 

Nota: 3/5

Filme visto na Mostra de Cinema de Tiradentes

Me acompanhe nas redes sociais Facebook / Instagram / Twitter

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s