Cinema, Crítica de Filme

| Manguebit | Crítica

Em um filme musical e cheio de histórias, Manguebit homenageia e traz os nomes da música do movimento para quem não os conhece.

​O mangue beat, movimento musical e estético que nasceu em Pernambuco nos anos 1990, mudou a visibilidade das periferias e das manifestações culturais da região metropolitana de Recife e colocou o estado na rota do mercado musical mundial, após o lançamento de bandas como Chico Science e Nação Zumbi e Mundo Livre S.A.

O filme experimenta a liberdade do pensar do mangue por meio de uma linguagem multifacetada, que reúne ideias e ideais, refletindo a ousadia que deu vazão ao grande símbolo do movimento: uma antena parabólica enfiada na lama dos estuários. ​

O diretor Jura Capela (A serpente) traz uma narrativa conhecida pela região, mas pouco no restante do país, onde as músicas acabaram fazendo mais sucesso. E é interessante perceber como o diretor teve um cuidado didático e linear de trazer essa histórias para as telas.

E claro se pensarmos no movimento, Chico Science e Nação Zumbi é a primeira banda que lembramos, junto com seu Maracatu Atômico lançado na década de 90, mas o roteiro do próprio diretor não se apoia nessa banda apenas, ele traz diversos nomes, seja mostrando apresentações e entrevistas dos representantes das banda e movimento.

Chico Science e Nação Zumbi no estúdio Nas Nuvens, Jardim Botânico, Rio de Janeiro. foto de Daniela Dacorso

Trazer este movimento de uma forma linear é um grande acerto, já foca nos crescimento das bandas, mostra a cena e principalmente como as primeiras oportunidades foram aparecendo. Apostando na crescente e deixando os próprios entrevistados contar as histórias.

A mistura de imagens de shows, clipes e gravações contribuem para a narrativa central, e sabem agregar. Principalmente quando se fala dos locais para se tocar na região, e como as bandas se conheciam no movimento.

O filme também explora a pluralidade da cena, já que as bandas não tocam o mesmo estilo musical, Manguebit sabe dar esse espaço, e explora como os grupos acabavam indo para caminhos diferentes, onde sua forma de entreter é melhor.

Otto, um dos entrevistados

Com essas diversidades, acabamos tendo um filme com bastantes cortes e aproveitando as entrevistas para mudar de tema, sem perder o ritmo e potência do início. Principalmente pela troca de entrevistados nas trocas de tramas que o longa propõe

Essa troca de narrativas seguindo uma linha do tempo, se perde apenas nos momentos finais para  mostrar mais da Nação Zumbi e Chico Science, principalmente a morte prematura, o que é necessário, mas faltou a repercussão disso na cena do local e como a banda continuou. Inclusive ela está na ativa com Jorge Du Peixe nos vocais.

Manguebit, mesmo com muita história para contar, consegue trazer os  principais nomes do movimento e entrevistas importantes, principalmente para quem quer conhecer as bandas, ou para os fãs das músicas, mas não conhece o movimento regional. 

Filme visto na Mostra de Cinema de Tiradentes

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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