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| Abe | Crítica

Em um filme emotivo e bem construído, Abe mostra a dramaticidade de Noah Schnapp (Stranger Things) em uma história para a família. 

Abe (Noah Schnapp), um menino de 12 anos, mora no Brooklyn, em Nova York, com a mãe judia de origem israelense e o pai palestino de origem muçulmana. O garoto, aprendiz de um chef de cozinha brasileiro (Seu Jorge), ama gastronomia e tenta usar desse artifício para manter sua família unida.

Abe está no meio do fogo cruzado, já que ele tem por parte de pai a criação muçulmana e a educação judaica por parte da mãe, por isso ele busca um meio termo a tudo isso. E ele encontra na cozinha, e em aprender a cozinhar seu lugar entre os dois mundos, por isso o longa dirigido por Fernando Grostein Andrade (Carcereiros) traz uma narrativa para toda a família.

Todo mundo passa por aquela fase onde não encontramos o nosso lugar no mundo e nós achamos a pior pessoa do mundo. Abe se sente assim e Noah usa o personagem jovem e cheio de camadas, para trazer uma carga dramática e real. O roteiro usa a cozinha como a zona de conforto do protagonista, mas sabe também extrair boas cenas quando está fora dela.

Crédito: Caio Ferreira

Seu Jorge não faz um pai para Abe, e sim um ponte para Abe e seu amor crescente pela cozinha, o longa busca fugir de clichês onde o menino não tem apoio familiar e acaba encontrando um mentor. Há esta figura, mas aqui ela está desconstruída, já que o protagonista possui um bom núcleo familiar.

Aqui Abe está cercado de amor, de uma família que o quer bem, mas que os dois lados religiosos, não se suportam, cada um a sua forma busca trazer o protagonista para ‘seu’ lado, como se fosse a escolha. Essa indecisão e vontade dele de não decepcionar o lado não escolhido, é algo pesado demais. Nessas cenas podemos observar a capacidade dramática de Noah e como ele lida bem com tantas cenas em sequência, principalmente nos atos finais.

Claro que há sensibilidade nessas cenas, mas há um problema de balanceamento e alguns excessos que nos primeiros atos que não justificam sua forma nos atos finais. Acaba ficando um clima de filme de final de tarde, e o roteiro de Abe tem um visão tão diferente para alguns momentos, mostrando que algumas escolhas fáceis não precisavam ser tomadas.

Crédito: Caio Ferreira

Seu Jorge é pouco exigido neste longa, já seu papel é secundário quando comparado com a família, ele se torna um guia para Abe, que acaba tomando algumas escolhas questionáveis no começo, e depois ganha afeição pelo garoto, onde os dois dividem boas cenas. A relação entre ambos não busca perfeição, e sim de professor e aluno. Sem aquelas frases motivacionais para Abe perseverar.

O longa tem uma filmagem fluida e segura, aproveitando a cidade e os lugares abertos. Os cenários utilizados nas casas ajudam nas cenas. E claro, que as cenas na cozinha são de encher os olhos, por serem coloridas, cheia de movimento e muita mão na massa, onde podemos perceber planos diferenciados e tentativa de ‘pescar’ o espectador pelo estômago, já que temos receitas brasileiras, judaicas e muçulmanas sendo preparadas. 

Abe tem a premissa de tentar algo diferente no quesito ‘se encontrar’, ele tem alguns sucessos, mas ainda se percebe algumas escolhas fáceis e pontos de virada marcados, mas somos compensados por Noah fazendo um bom papel e um longa que trabalha o conceito de religião de uma forma simples para um grupo de espectadores maior.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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Twitter: @PareceSerio

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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