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| Liga da Justiça – Zack Snyder | Crítica

Em um filme mais coeso, com arcos de heróis organizados e uma narrativa diferente do filme de 2017. A versão de Zack Snyder de Liga da Justiça chega as plataformas digitais, mostrando que sua visão para o grupo de heróis é melhor do que a Joss Whedon. Confira a crítica completa

O universo da DC Comics nos cinemas passa pelas mãos de Zack Snyder, afinal ele dirigiu e roteirizou, Homem de Aço (2013), Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016) e Liga da Justiça (2017), porém os dois primeiros filmes tiveram uma recepção mista de público e crítica. Enquanto gravava o filme do grupo de heróis mais conhecido da empresa, Zack passou por um trauma familiar enorme e a Warner resolveu substitui-lo por Joss Whedon (Os Vingadores e Os Vingadores: Era de Ultron), mas ele não deu sequência ao trabalho, claramente ele mudou os planos do diretor.

Ao assistir ao filme da Liga, fica nítido as cenas feitas por Zack e Whedon, mas o principal problema foi alterar o tom do longa deixando mais leve, foram alterados os arcos de Flash (Ezra Miller) e Ciborgue (Ray Fisher), o visual de Lobo da Estepe tem um CGI questionável e ainda nas refilmagens ao retirar a barba de Henry Cavill, que estava gravando Missão Impossível: Efeito Fallout, tem o seu rosto deformado na versão que foi aos cinemas (A primeira cena de Liga, não me deixa mentir).

Zack se tornou um ativista na internet, para mostrar a versão original do grupo, tags como #ReleasetheZackSnyder (Liberem o corte de Zack Snyder, em tradução literal) dominaram os trending topics e ele conseguiu enfim colocar nas plataformas digitais (Dizem se não houvesse a pandemia, haveria uma distribuição nos cinemas em um circuito reduzido) uma versão de 4 horas da forma de que era prometido.

Agora que foram feitas as devidas explicações, vamos ao filme.

O longa segue a mesma forma do filme de 2017, ou seja, a base narrativa está aqui, mas é um filme diferente, mesmo com cenas e diálogos que são os mesmos, é um longa distinto. Com o retorno de Zack, o tom de urgência e sua forma de filmar e com suas cores preenchem a tela. Inclusive o filme tem a proporção 4:3 (Mais quadrado).

Como já dito, os arcos de Ciborgue e Flash foram prejudicados na troca, e aqui temos enfim uma forma de conhecermos os personagens, que são introduzidos no universo aqui. Flash continua o brincalhão fora do uniforme, mas quando ele o coloca, ele está focado e sabe das suas habilidades. Ele não é um moleque assustado, como se tivesse acabado de aprender suas habilidades e entrou na Liga no dia seguinte como já vimos.

Ciborgue é primordial para a história construída aqui, se fizéssemos um tempo de tela de cada e houvesse uma comparação com o primeiro filme, o personagem de Ray Fisher teria um aumento significativo de tela. E esse aumento faria com que fosse a ‘alma’ do filme, ele não só resolve o problema das caixas maternas, como no original. Ele têm sua própria jornada e temos um melhor vislumbre de suas habilidades.

A principal mudança visual e de trama está no vilão Lobo da Estepe, primeiramente ele tem novo visual, completamente diferente do original, muito mais corpulento, com detalhes muito superiores a primeira versão. Seu arco narrativo também foi alterado, agora ele busca redenção quanto a Darkseid e a busca das caixas maternas é para mostrar seu valor.

Sua transformação não muda a trajetória de eventos, a ordem deles se mantém, mas as cenas entre os grandes eventos são diferentes, seus novos diálogos e interações mostram um novo lado do personagem e sua ligação com DeSaad e Darkseid fica mais profunda.

Alguns personagens não sofrem grandes alterações como Aquaman de Jason Momoa, ele até pode ter novos diálogos e novas interações com Vulko (Willem Dafoe) e Mera (Amber Heard) continuam servindo mais com introdução para seu filme solo e explicando sua relação com Atlântida e seu lugar como rei. Foi até interessante vê-los em novas cenas, mas para ele pouco agregou a nova versão.

O Superman de Henry Cavill agora tem um arco mais próximo dos quadrinhos, quando ele precisa do uniforme preto ou negro para retomar seus poderes depois de voltar dos mortos. Esse uniforme, para quem não conhece, foi feito após ele voltar da morte pelo Apocalipse, ele consegue armazenar e captar mais energia solar o que facilita com que ele consiga utilizar seus poderes com maior agilidade e em menor tempo. Zack soube colocar um elemento diretamente das HQ’s, mostrando que ele conhece bem o personagem.

Zack colocou novas trilhas (Ou elas eram as trilhas originais e foram trocadas, vai saber) na sua versão. Elas têm duas funções, de trazer uma nova dimensão para cena e principalmente mostrar algo relacionado aos personagens naquele momento. Quando você estiver assistindo, coloque legenda nestes momentos, para você conhecer o que essas músicas significam.

O tom geral do filme também é mais ‘alto’, não que o filme seja para adultos, mas nas cenas de luta, há mais sangue envolvido e as batalhas ficaram levemente mais brutais, há cenas com desmembramentos, duras e com peso. E até brigas que não vimos na versão anterior, como Mera e Lobo da Estepe ficaram ainda melhores. E claro o grupo derrotando o ‘Lobo’ são muito melhores que a versão original.

O filme é tão superior a versão de 2017, que não é nenhuma loucura de colocarmos ao lado de ‘Vingadores: Ultimato’ e ‘Batman: Cavaleiro das Trevas’, já que mesmo que longo ele consegue explicar todos os personagens, dar um tom diferente e ser um bom filme baseado em quadrinhos e fica questão, o longa de Zack Snyder será canônico ou foi apenas um filme ‘solto’? Saberemos os novos capítulos a seguir, inclusive a tag #RestoreZackSnyder para o filme seja considerado a versão oficial do filme da Liga começa a crescer. Quem sabe?

Então já sabe, separe quatro horas do seu dia para ver a versão correta da Liga da Justica. O problema é o que o que fazemos com a versão de 2017, fingimos que nunca existiu? Ou que ela foi um delírio coletivo.

Nota: 4/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Instagram: @npmes

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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