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| Proibido Nascer No Paraíso | Crítica

Em um filme que discute os direitos de maternidade em Fernando de Noronha sem buscar culpados, ‘Proibido Nascer no Paraíso’ traz à tona a realidade do arquipélago onde não pode haver novos nascimentos.

Fernando de Noronha é um arquipélago conhecido no Brasil pelo turismo e paisagens deslumbrantes, mas o filme de Joana Nin não busca mostrar o local e sim trazer um problema que as mulheres grávidas encontram, quando passam das 28 semanas (7 meses) de gravidez vão para ter seus filhos em Recife (Pernambuco), ou seja, não são nascem na ilha.

O longa acompanha o dia a dia de Ione, Harlene e Babalu, três gestantes cujas famílias vivem em Noronha há décadas, mas são obrigadas a se deslocar para o continente para realizarem seus partos. Vamos conhecendo suas histórias uma a uma, e Joana as deixa falar abertamente para a câmera e vamos percebendo que cada uma reagiu a esta história de uma forma diferente. Que cada uma tem uma opinião sobre o assunto.

E são estas as histórias que veremos na tela, pelo lado das mães, a diretora até buscou informações e conversou com outros representantes, como a única médica do arquipélago, porém são pequenos momentos, e não tem a intenção de apontar dedos ou mostrar quem está certo ou errado.

Claro, que ela pode não ter essas pessoas falando para câmera, para dar uma explicação, mas ela mostra que há muito dinheiro entrando na ilha, e que novos habitantes nascidos na ilha seriam um problema.

A forma de captação que a diretora escolheu para mostrar estas mães, é dentro do tradicional, com foco nas interações, e principalmente delas buscando o direito de seus filhos terem ‘Fernando de Noronha’ na certidão de nascimento.

Não temos um filme investigativo e sim contemplativo, com narrações bem inseridas e sem uma grande imagem ou plano aberto mostrando a ilha. Ela busca ser um coadjuvante no que acontece, registrando tudo.

Mesmo sem buscar os responsáveis pelo acontecimentos, é estranho que em pleno século XXI temos mulheres que não são responsáveis pelo próprio corpo e como futuras mães tem suas opiniões subjugadas, com a máxima ‘É o melhor para você e o bebê’ ou ‘É para sua segurança’. Será mesmo?

As perguntas que Joana levanta em ‘Proibidos em Nascer no Paraíso’ são muitas, algumas duras e pertinentes. É só mostra o quão o Brasil pode ser antigo em alguns conceitos. Parece Idade Média, mas é o paraíso de Fernando de Noronha que ninguém pode nascer, mas cobrar diárias maiores que o salário mínimo, é permitido e faz sucesso.  

Nota: 4/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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