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| Judas e o Messias Negro | Crítica

Em um filme cheio de diálogos fortes e atuações precisas de Daniel Kaluuya e Lakeith Stanfield, em um retrato claro do racismo nos anos 70. Judas e o Messias Negro chega aos cinemas. Confira a crítica completa.

O presidente Fred Hampton (Daniel Kaluuya) tinha 21 anos quando foi assassinado pelo FBI, que coagiu um pequeno criminoso chamado William O’Neal (Lakeith Stanfield) para ajudá-los a silenciar Hampton e o Partido dos Panteras Negras. Mas eles não conseguiram matar o legado de Fred Hampton e, 50 anos depois, suas palavras ainda ecoam… mais alto do que nunca.

O filme dirigido por Shaka King e produzido por Ryan Coogler (Pantera Negra) ele busca traz um retrato da época e mostrar como os Panteras Negras eram sim relevantes, e sofriam diversos ataques de racismo e o FBI acha que apenas matando Fred, eles matam a revolução.

O diretor tem uma história difícil em mãos, não só por trazer uma história negra em época de ‘Vidas Pretas Importam’ e diversos ataques racistas acontecendo. E ele precisa trazer uma narrativa entorno de um assassinato e mostrar quem eram essas pessoas históricas. E para isso ele se apoia no bom elenco que possui.

Crédito: Warner Bros

Daniel Kaluuya (Corra! E Pantera Negra) traz ao papel de Fred, ele traz as diferenças de comportamento que um papel como este precisa, pois ele sobe a voz nos discursos e pode ser um homem comum perto daqueles em que confia. É um papel com muitas nuances e com diálogos fortes. As cenas em que ele discursa são as melhores por causa dele.

A direção de Shaka é precisa, ele traz a câmera para próximo para dar força aos diálogos, e sabe quando mostrar o povo ou o protagonista da cena, são cortes rápidos, que dão dinamismo a narrativa, mas ele sabe quando desacelerar para mostrar o lado que pouco foi mostrado dessa história real.

A narrativa é a parte segura de ‘Judas’, pois ela é linear e carregada de explicações, dificilmente o espectador irá se perder aqui, pois mesmo com um filme denso, ele explica tudo, nada de deixar algo no ar ou mal explicado. Não que isso seja ruim, mas não deixa o espectador especular dentro da sua cabeça enquanto ele assiste, mesmo quando sabemos o seu final.

Crédito: Warner Bros

Essa previsibilidade e eventos lineares seja o principal problema de ‘Judas’, afinal ele é bem filmado, tem boas atuações e diálogos, mas a linha do tempo é segura, pouco crescente e urgente.

William O’Neal (Lakeith Stanfield) é o grande nome deste filme, mesmo com a grande atuação de Daniel, ele tem uma crescente interessante e entrega as melhores cenas e arcos. Seu personagem real tem escolhas duras por todo o filme e William entrega humanidade com reações críveis.

Shaka King tem aqui seu primeiro grande projeto nos cinemas, ele tem uma boa história e atuações, ele filma de um forma segura boa parte do longa, movimenta a câmera nas grandes cenas e faz planos abertos para deixar claro quantas pessoas Fred era capaz de reunir em um discurso.

Judas e o Messias Negro não aquele típico filmão que ficaremos lembrando por um tempo pela sua narrativa forte e atuações, mas ele é um filme que cumpre tudo que promete, com uma história bem explicada e boas atuações da dupla Daniel e Lakeith. Essa dupla inclusive pode aparecer nas principais premiações do cinema, inclusive Daniel Kaluuya está indicado como melhor ator coadjuvante no Globo de Ouro 2021.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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