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| Babenco alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou | Crítica

Em um filme poético sobre a vida e filmografia de Hector Babenco. ‘Babenco alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou’ estreia nos cinemas e foi escolhido com o representante brasileiro para o Oscar 2021.

Hector Babenco foi um cineasta que viveu e morreu realizando o que fazia sua vida ter algum sentido: A sétima arte. Em relatos marcantes sobre as memórias, amores, reflexões, intelectualidade e a frágil condição de saúde de Babenco, o documentário revela como o seu amor pelo cinema o manteve vivo por tantos anos.

Fazer um filme sobre a sua morte, ou sobre sua última batalha, apenas uma pessoa com a vida muito ligada ao cinema toma uma decisão deste tipo, a direção ficou a cargo de Bárbara Paz, atriz e esposa de Hector. Ela traz muita intimidade para a história e ao mesmo tempo traz uma nova visão aos diversos trabalhos do diretor, uma visão até mesmo poética.

Babenco é mostrado aqui como se fosse um dos personagens de seu próprio filme, Bárbara traz muitos momentos de bastidores, como hospitais, e ele falando com a câmera, de cinema, de formas de captura de imagens, de seus filmes e principalmente de sua forma de fazer cinema.

Foto: Acervo pessoal

A diretora repassa pelos filmes lançados por Hector ao longo de sua carreira, há uma seleção de imagens ou cenas bem interessante, já que estas escolhas não se baseiam em data de lançamento ou cronologia, e sim em grandes momentos do cinema do diretor indicado os Oscar.

A forma com que estas cenas aparecerem em cena possuem uma fotografia que traz uma nova forma de apreciarmos o trabalho de Babenco. O trabalho de Stefan Ciupek (127 Horas e Quem Quer Ser Um Milionário?) é marcante por primeiro fazer um filme todo em preto e branco, com algumas granulações e principalmente em trazer uma nova forma de vermos o trabalho do argentino.

Bárbara filma com proximidade, traz a câmera para perto de Hector em um tom muito intimista, sem parecer aquelas filmagens de aniversário, com um ar caseiro. Até nessas cenas em que ela filma, há uma preocupação com o enquadramento e continuar a linguagem poética que permeia toda a narrativa.

Foto: Acervo pessoal

A montagem do trabalho final consegue manter toda a atmosfera do começo do filme, e principalmente manter a carga emotiva. A diretora usa os atores que estiveram em trabalhos de Hector, como Willem Dafoe, para dar mais ênfase do lado humano e profissional do diretor que sempre soube extrair o melhor dos atores e atrizes.

‘Babenco’ não é apenas um filme de homenagem, mostra algo raro na indústria cinematográfica, um filme que consegue falar da pessoa e do cineasta, sem aquele tom de documentário, com pessoas falando sobre Hector para a câmera. Temos aqui um filme com muita carga emocional e com uma linguagem muito poética digna das telonas.

Nota: 4/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

2 comentários em “| Babenco alguém tem que ouvir o coração e dizer: Parou | Crítica Deixe um comentário

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