Mais ambicioso do que nunca, o novo capítulo transforma o terror moderno em alvo de uma metralhadora de piadas.

Poucas franquias conseguiram transformar a paródia em uma marca tão reconhecível quanto Todo Mundo em Pânico. Depois de mais de duas décadas desde o primeiro filme, a série retorna apostando justamente naquilo que a tornou popular: um humor exagerado, pesado, sem medo de ultrapassar limites e disposto a satirizar qualquer fenômeno da cultura pop que esteja ao alcance.
A trama coloca novamente Cindy, Ray, Brenda e Shorty diante de um assassino mascarado extremamente familiar. A premissa é simples, mas serve como desculpa perfeita para que o roteiro dispare referências em todas as direções possíveis. Como sempre aconteceu na franquia, o terror é o principal alvo, mas desta vez o alcance é ainda maior. Filmes recentes do gênero recebem atenção especial, principalmente Pânico 6, que funciona como uma das principais bases estruturais da narrativa, mas produções de ação, fenômenos musicais e até tendências da internet acabam entrando na brincadeira.
Entre as referências mais inesperadas estão elementos de John Wick e até mesmo a música “Golden”, sucesso de Guerreiras do K-pop. O resultado é um verdadeiro festival de piadas que dificilmente deixa algum assunto intocado. Para quem cresceu acompanhando a franquia, existe ainda um carinho especial na forma como os filmes anteriores são lembrados. Diversos diálogos citam acontecimentos passados, personagens comentam momentos clássicos da série e participações especiais surgem ao longo da projeção como pequenos presentes para os fãs mais atentos.
Um dos maiores acertos está justamente no retorno do elenco original. Anna Faris, Marlon Wayans, Shawn Wayans e Regina Hall continuam demonstrando uma química que foi fundamental para o sucesso dos primeiros filmes. Sempre que os quatro dividem a cena, a comédia funciona de maneira mais natural e divertida. Os novos personagens cumprem seu papel, mas dificilmente alcançam o mesmo carisma ou impacto dos veteranos, que acabam carregando os melhores momentos do longa.

A versão dublada também merece destaque. A adaptação brasileira adiciona diversas referências locais e brincadeiras que aproximam ainda mais o público nacional do humor apresentado na tela. Em vários momentos, a sensação é de que a dublagem compreendeu perfeitamente o espírito caótico da franquia e encontrou maneiras criativas de potencializar algumas piadas.
Se existe um ponto que prejudica a experiência, ele está na construção narrativa. Em busca de incluir o maior número possível de referências, o filme frequentemente interrompe sua história principal para realizar alguma piada específica. Algumas dessas sequências são bastante engraçadas, mas os cortes acabam sendo muito bruscos. Em certos momentos, a trama parece desaparecer por alguns minutos para acomodar uma sátira isolada, demorando para retornar ao seu eixo principal. Faltou um pouco mais de cuidado na conexão entre essas esquetes e a narrativa central.
Ainda assim, o saldo é positivo. Este talvez seja o filme mais ambicioso da franquia em termos de escala e quantidade de elementos explorados. Nem todas as piadas acertam o alvo, mas a disposição em rir de tudo, somada ao retorno do elenco clássico, faz com que a produção mantenha viva a essência que transformou Todo Mundo em Pânico em um fenômeno da comédia. É uma celebração nostálgica, caótica e completamente sem vergonha de ser absurda.
Nota: 4/5
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