Com a sua fotografia e trilha intensa, Mares do Desterro traz uma trama cheia de entreames e elementos conhecidos. Confira a crítica completa.

O drama Mares do Desterro dirigido por Sandra Alves, conta a história de uma família que vive ilhada e isolada de todo o resto da população. O filme tem seu visual inteiramente em preto e branco e traz a impressão de que os personagens são pessoas simples e que não possuem muito, além de uma bagagem de segredos e uma boa dose de problemas familiares, desenvolvidas sem dificuldade pelos atores expressivos que fecham o elenco.
Com uma trilha sonora impactante e intensa, desde os primeiros cinco minutos de filme é possível sentir toda a profundidade que a obra tem. Os áudios trazem consigo todo o peso da história, conseguindo carregar bem as cenas e as interligando de uma maneira gradativa.
O filme conta a história de como o “sumiço” de Serena (Débora Ingrid), irmã gêmea de Divina, teve impacto na vida de sua família. Uma mãe religiosa que jamais perdeu as esperanças em que sua filha voltaria, acendendo velas a orando por ela todos os dias, em uma eterna angústia sobre qual seria o paradeiro de Serena e se ela ainda poderia estar viva, seja lá onde estivesse.
Joaquim (Luciano Bortoluzzi) é o progenitor da família e sai de casa em uma busca incessante pela filha, o homem passa dias fora e aquilo começava a se tornar agradável para Divina, que já não aguentava mais a vida que precisava levar por culpa do pai. Constantemente o homem questionava a própria esposa sobre suas atitudes e crenças.
Mariano (Ianô Hak), o único filho homem do casal, era julgado como pecador e a razão pela qual sua irmã havia fugido de casa, porém, o motivo de tal crença pela parte de seus pais apenas é mostrado no final do filme, em um flashback. No calor da angústia, revolta e ira, Joaquim prende seu filho em uma “jaula”, da qual Divina chama de chiqueiro, onde o garoto é tratado como um animal, tendo o único direito de se alimentar.
O filme retrata tópicos como a violência doméstica, abuso e incesto, é uma obra que traz um grande peso consigo. Divina chega a seu limite, aproveitando e analisando brechas e acontecimentos até que em um momento explode.
A revelação final traz consigo um grande segredo que rodeava aquela família e o verdadeiro motivo pelo qual Serena havia ido embora. Um filme que exige atenção, principalmente a seus diálogos e a relação dos personagens entre si. Mesmo que seja consideravelmente “parado” durante longos minutos, ainda assim é uma boa opção para os amantes do drama.
Nota: 3/5
Contato: naoparecemaseserio@gmail.com
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