Cinema, Crítica de Filme

| De Repente Drag | Crítica

De Repente Drag diverte e ao mesmo tempo traz o universo Drag de uma forma didática e com respeito. Confira a crítica completa.

O filme acompanha Julião (Ruan do Vale), um repórter cansado de ser a piada no jornal onde trabalha. Com sorte, ele e sua amiga Yasmin (Brena Maria) esbarram em Lohanny (Frimes), que denuncia um caso de tráfico de pessoas após participar do maior concurso de Drags do Nordeste, na agência NorDrags. Julião percebe ali, sua oportunidade de mudança de cargo mas, para isso, vai precisar se despir dos pré-conceitos e mergulhar no universo Drag, como parte de sua investigação.

Estamos acostumados com filmes com Drag’s, mas eles estão sempre reservados a personagens secundários ou o alívio cômico da trama. De Repente Drag não faz isso, ele traz o universo Drag, mas sabe usar o protagonismo delas e principalmente trabalha os elementos com didatismo.

O longa é uma comédia acima de tudo, então ele também está interessado em divertir o espectador com sua história, principalmente com um protagonista que possui elementos caricatos e a vontade de se superar. 

A trama do universo Drag é bem executada e filmada, temos grandes cenas e inspirações em programas, onde todas as drag’s podem mostrar seu talento, isso também se dá a inclusão no elenco de Silvero Pereira (Pantanal) e a rainha das festas Tchaka, que são importantes para vários elementos da trama. 

Tchaka inclusive, tem uma vilania marcada e com excessos, por sempre estar na sua personagem drag, lembrando alguns momentos a Úrsula de A Pequena Sereia, por trejeitos de voz e mãos, mesmo sendo uma personalidade diferente do que estamos acostumados, temos um destaque interessante.

Outro destaque é Ruan do Vale que sai de um jornalista buscando seu espaço para uma drag queen, a sua evolução na construção da persona é inegável. Claro, que deveria haver uma melhora esperada, mas parte dessa evolução passa pelo trabalho do ator. 

E pautar elementos lgbtqia+ múltiplos no mesmo longa, é algo raro. Normalmente uma esfera é abordada e explicada, aqui temos uma amplitude de sexualidad rara e utilizada em diversos diálogos e introdução de elementos para diversas sexualidades em diversas cenas. Interessante perceber como o filme se preocupou em colocar o máximo de elementos possíveis na sua trama.

E também como ele aborda o preconceito, de uma forma subjetiva e conclusiva, de uma forma leve, afinal temos uma comédia aqui, mas há como reconhecer as abordagens. E como elas são duras para alguém com uma sexualidade que a sociedade entende como errada. 

As apresentações são um espetáculo à parte, mesmo que tenhamos uma melhor abordagem do protagonista, é interessante perceber de como temos uma diversidade de abordagem e de apresentações, como se mostrasse as diferentes competidoras. 

O protagonista tem os receios quanto ao seu trabalho, e perceber que essa matéria é uma forma de se encontrar e ao mesmo tempo lidar com as suas preocupações e preconceitos é uma ótima intenção do roteiro. E quando temos isso aliado a um bom ator, é mais interessante ainda. 
De Repente Drag é uma ótima surpresa, seja pela narrativa de comédia simples, mas por abordar tanto da comunidade lgbtqia+ com didatismo ímpar, e principalmente não ter um personagem drag como um alívio cômico e sim algo relevante e importante para a trama principal.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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