Cinema, Crítica de Filme

| Benedetta | Crítica

Em um filme provocante, Paul Verhoeven traz conceitos que raramente combinam em uma narrativa densa

Benedetta (Virginie Efira) traça o retrato de uma freira católica que tem visões religiosas deste pequena, fazendo com que ela se torne  santa na região de Pescia (Itália), porém durante este período ela tem relações com a noviça Bartolomea (Daphne Patakia).

Paul Verhoeven (Instinto Selvagem) sempre fez filmes provocantes e sensuais, com uma narrativa densa. Benedetta não é diferente, mas dessa vez ele o faz com tramas que naturalmente não aparecem juntas,  como religião e sexo.

Neste filme ele se faz de elementos para manter o foco do espectador na trama, em um fluxo constante e linear, com o peso certo e sem banalizar as informações apresentadas. Ele entende o sexo como parte da vida e não como depravação.

As cenas sensuais tem sim alguns problemas e excessos, mas elas são importantes para a narrativa central, que até colaboram com as escolhas religiosas em momentos chave. Até mesmo abordar a peste negra nos atos finais, mostra como o roteiro se preocupou em adaptar a época e justificar as seleções dos personagens. 

O roteiro também incorpora a relação mulher e igreja, com foco na submissão e subjugamento, de como ela não é apreciada como um ser humano pensante e apto para tomar decisões importantes. O longa traz o retrato da mulher que tem como ‘utilidade’ apenas na igreja e na reprodução, nada além disso. A narrativa busca na protagonista dar força, mas é factual perceber como a história é desagradável com as mulheres (Ainda é).

As atrizes protagonistas dispõem de seus corpos, para dar o drama e peso necessário para as cenas difíceis e polêmicas do filme. A entrega de ambas é tão intensa que elas conseguem imprimir sentimentos como sensibilidade e amor mútuo, principalmente devido a troca intensa de atos que ocorrem.  

Benedetta seria polêmico, era esperado, desde a sua primeira exibição em Cannes, pois falar de assuntos religiosos e diversos tabus. A história passeia por isso e traz tudo, com a vantagem de ‘trocar’, onde eles pouco se misturam. Essa separação é o grande acerto de Paul, por justamente entender o tema e não inundar a tela com excessos. Há momentos para tudo dentro da trama principal.

As cenas adultas, são importantes para uma parte da história de Benedetta, mas se eliminarmos essa variável, ainda sim temos um bom filme, que consegue manter a intensidade e trabalhar os temas propostos. A nudez aqui é justificada, e principalmente, agrega.

A principal percepção é entender que Benedetta é um longa difícil, de uma história real, que sem o cuidado certo, poderia ser um longa avulso e sem razão. Paul Verhoeven entende isso e entrega uma narrativa com diversas nuances e momentos chaves.

Nota: 4/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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