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| Lulli | Crítica

Em um filme maduro, e com subtramas interessantes. Lulli surpreende, mesmo seguindo um caminho previsível. Confira a crítica completa.

Lulli (Larissa Manoela) é uma ambiciosa estudante de medicina cujo maior sonho é se tornar a melhor cirurgiã de todos os tempos. Entretanto, o seu mundo vira ao avesso quando a jovem é eletrocutada por um aparelho de ressonância eletromagnética que desperta sua capacidade de ouvir pensamentos alheios. Agora, a teimosa Lulli ironicamente vai aprender as maravilhas e os perigos de saber o que as pessoas estão pensando.

O longa dirigido por César Rodrigues (Minha Mãe É Uma Peça 2) traz uma atmosfera esperada, seja pela narrativa principal e pelas viradas de roteiro, mas o destaque acaba sendo pelas subtramas que envolvem a protagonista Lulli, que além de lidar com o seu ‘superpoder’ tem que resolver problemas reais e ajudar quem a rodeia de uma forma concreta.

Larissa Manoela tem enfim um papel que explora mais características da atriz, seja pelos arcos dramáticos ou pelas respostas que a rodeia. Diferente de Modo Avião, que seguia a ‘receita’ de um filme de superação e de perceber que precisa ser uma nova pessoa. O roteiro de Renato Fagundes e Thalita Rebouças usa mais elementos cotidianos e de fácil aceitação do público.

Cr. Suzanna Tierie/NETFLIX © 2021

As história que envolvem a protagonista são o grande exemplo disso, seja pelo preconceito no esporte vivido por Júlio (Sérgio Malheiros), a seja colega de trabalho Elena (Yara Charry) que precisa de apoio para se encontrar na profissão e do namorado Diego (Vinicius Redd) que busca ser um médico tão bom quanto o pai. Claro, que vai faltar aprofundamento e resolução de algumas delas, por ser um filme curto, mas não era algo esperado em um longa como este.

Os tais superpoderes adquiridos pela protagonista são coadjuvantes aqui, aqui eles são pensados como um elemento de crescimento e de entendimento da personalidade, porém há um cuidado de representar essa habilidade, seja com primeiros planos, ou buscando o rosto da protagonista para demonstrar que ela está lendo a mente do paciente. O roteiro até busca um uso não tão heroico em alguns momentos, mas eles servem como aprendizado em boa parte do filme.

Mesmo com essa narrativa acima da média, a trama em si é leve, com piadas e trocadilhos bem acertados, que pouco troca entre os arcos. Algo que não imaginamos já que ele traz uma história mais madura do que os trabalhos anteriores do elenco e direção, o que não compromete o final, mas há um sentimento de ser algo diferente nos primeiros atos.

E os atos finais que segue o que esperamos de uma comédia leve, temos um ritmo mais acelerado, de resoluções rápidas, sem grandes diálogos e momentos dramáticos, há uma urgência em resolver tudo rapidamente, que destoa do restante do filme.

Cr. NETFLIX © 2021

As atuações estão dentro do esperado de seus personagens, e como eles a maioria tem uma estrutura parecida do início ao fim do longa, há poucas transformações. A exceção fica para a personagem de Larissa Manoela que surpreende pelas mudanças exigidas, pelos arcos dramáticos, e por lidar com os problemas pessoais e profissionais de Lulli.

O longa pode não surpreender, ou oferecer ao espectador uma grande narrativa, mas cumpre seu papel de envolvê-lo em uma história de transformação, que se tirarmos os superpoderes adquiridos por Lulli, temos sim um, um roteiro que se preocupa em trazer o cotidiano para tela, de uma forma crível ao menos.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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