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| O Diabo Branco | Crítica

Em um filme cheio de referências ao terror dos anos 90, O Diabo Branco faz um filme seguro, mas demora a engrenar e mostrar seus vilões.

Em uma viagem de carro pelo interior da Argentina, um grupo de quatro amigos têm um estranho encontro com um misterioso homem quando chegam para pernoitar em uma pousada local. As férias ideais dos amigos são arruinadas quando eles acabam se tornando reféns de uma antiga lenda maligna que assombra a cidade. 

Ignacio Rogers (La Dosis) escreve e dirige um filme de terror que parece retirado dos anos 90 e não de 2021. Há espalhado pelo filme elementos que remetem os clássicos como A hora do pesadelo e Sexta-feira 13 principalmente na atmosfera criada e no ‘vilão’ da história. Nada contra essas escolhas, mas isso faz de Diabo Branco um filme de homenagem a este momento do cinema de terror. 

E por justamente ter momentos que remontam a estes filmes, ele acaba tendo uma sequência segura e pouco inventiva, não somos surpreendidos em momento nenhum e tudo ocorre conforme a ‘cartilha’. Até aqueles momentos de ‘falta de sorte’ do grupo são repetidos à exaustão aqui.

O roteiro pode ser seguro, mas busca explicar melhor o que ocorre ao espectador, principalmente pelo protagonista Fernando (Ezequiel Díaz), usando a curiosidade dele sobre o que ocorre para inserir na história. E seus amigos acabam acompanhando estes momentos. 

Estas formas do diretor conduzir a narrativa tem o problema de não ser diferente, mas quando ele coloca os elementos slasher, o folclore da região e as entidades que estão atrás do grupo de amigos, possuem um bom ritmo e agregam na história. É só uma pena que toda essa potência demore para acontecer. O diretor reserva muito tempo de tela apenas para as interações do grupo de amigos. 

E ele também acerta na tensão da cena, principalmente quando há um elemento de vilania em cena, com uma câmera bem posicionada e cortes suaves, temos cenas fluídas que condizem ao que ocorre e os atores respondem bem ao que vemos na tela. Em algumas cenas específicas conseguimos perceber que há violência gráfica, que é pontual, mas funciona.

O ritmo lento dos primeiros atos, que faz sentido apenas no final do filme, tinha a oportunidade trazer elementos sociais, já que o mesmo usa muitos informações do folclore local, que é visto como bruxaria por alguns, ou ‘algo que não deve ser mexido’, mas acaba sendo uma pincelada ou apenas o sobrenatural do terror argentino. 

E por ter muitas influências de décadas anteriores, os clichês não encantam, já que não fazem mais sentido para os novos elementos de terror. Os personagens tem problemas de executar tarefas simples, são facilmente encontrados e oferecem pouca resistência aos vilões. 

O Diabo Branco tem suas referencias claras, mas acaba sendo um filme de terror dentro do esperado.

Nota: 2/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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Instagram: @npmes

Twitter: @PareceSerio

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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