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| Doutor Gama | Entrevista Jeferson De

Leia a entrevista que fiz com jeferson De, o diretor de Doutor Gama, que estreia no dia 05 de agosto nos cinemas.

Jeferson De (Esq) e César Mello (Luiz Gama – adulto). Crédito: Elo Company

No dia 05 de agosto estreia no cinemas a cinebiografia de Luiz Gama, uma das figuras mais relevantes da história brasileira. Ele utilizou todo seu conhecimento sobre as leis e os tribunais para libertar mais de 500 escravos durante sua vida. Doutor Gama busca contar a sua história nas telonas. Leia abaixo a entrevista que fiz com o diretor Jeferson De (Correndo Atrás, M8 e Bróder).

A crítica do filme está neste link

1-) Como foi o processo de conseguir o material para contar a história da personalidade com o máximo de realidade, já que a história de Luiz Gama, assim como de muitos, sofre um apagamento histórico?

Nosso trabalho foi baseado em muita pesquisa. Tivemos como consultora a professora Doutora Ligia Fonseca Ferreira que com sua obra extensa e muita dedicação nos permitiu trilhar caminhos seguros e consistentes em todos os departamentos. Obviamente, há muitas lacunas que preenchemos com liberdade artística. Mas, além da própria dramaturgia, do texto falado, Doutor Gama é um filme para ser visto e ouvido em sua totalidade. Viajamos pelo século 19 nas cidades de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Fico feliz de poder me juntar com uma equipe muito dedicada (figurino, objetos, arquitetura, fotografia, som e trilha sonora) a serviço de um elenco grandioso e intenso.

2-) Sempre foi uma ideia inicial trazer Luiz Gama como adolescente, jovem e adulto para o filme?

Foi uma ideia da nossa produtora Cris Arenas, minha sócia na Buda Filmes. Ela sugeriu essa divisão na narrativa.  No início fui reticente. Era um grande desafio dirigir três atores interpretando o mesmo personagem. Uma das referências recentes que a Cris usou foi “Moonlight” (2016), de Barry Jenkins, um filme contemporâneo absolutamente marcante para mim. Topei o desafio e embarcamos nessa jornada.

Tratando-se de uma biografia, não podia ignorar os eventos que ocorreram na infância e na adolescência/juventude de Luiz Gama. Isso mudou completamente a trajetória do nosso herói. 

3-) O que te fez querer adaptar essa história para os cinemas?

Muitas coisas me chamaram a atenção. O desafio era grande. Pensava no retrato da cidade de São Paulo na metade do século 19; na composição de grande elenco; destacar a luta negra; realizar um drama histórico no período pré-abolição e, enfim, retratar a diversidade negra. Estes foram alguns aspectos. 

Sem dúvida, o mais relevante dessa escolha foi realizar o drama desse homem grandioso. Com “Doutor Gama” posso apresentá-lo a um público mais amplo. O filme é um convite, um incentivo para que as pessoas acessem a própria obra de Luiz Gama.

4-) Além de dar mais visibilidade para o trabalho de Luiz Gama para um público que não o conhece, quais objetivos você também elenca para o filme?

Na história do cinema brasileiro, foram vários momentos exibindo nossa contribuição em várias áreas. Com “Doutor Gama” nós podemos mostrar o legado intelectual negra no desenvolvimento do Brasil.

5-) Jeferson, você fez recentemente o longa M8 e agora dirige o longa sobre Luiz Gama, ambos com uma grande temática contra o racismo (De formas diferentes). A sua ideia é sempre colocar o racismo como um tema de seus filmes?

Sou um criador que gosta de contar histórias, já me chamaram de “griot” moderno. De fato, fiz curta metragem, série infantil e novela na TV aberta. O drama em longa metragem de ficção é o gênero ao qual mais me dediquei. 

Você tem razão, o racismo perpassa por toda a minha obra. Penso que seja natural que eu aborde a questão.  O racismo nos coloca diariamente em perigo na sociedade brasileira e faz parte da estrutura de poder que nos mata. Este tema é urgente para mim e hoje é percebido na sociedade brasileira e no mundo. Mas nem sempre foi assim. No ano 2000, quando publicamos o manifesto Dogma Feijoada, nem todo mundo estava atento à urgência da reflexão, principalmente no audiovisual.

No longa “Correndo Atrás” (atualmente em cartaz no Telecine) essa reflexão se faz pela comédia. Em “M-8” ela se elabora pelo suspense. Em “Doutor Gama” é pelo drama biográfico que abordamos um herói importante de nossa história.

No ano que vem vou filmar “Narciso Rap” com foco na infância negra.

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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