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| Ana. Sem Título | Crítica

Em um filme que mistura ficção e realidade, sem esquecer da história real que está em cena, Ana Sem Título é um retrato das artistas mulheres em meio a ditaduras na América do Sul. 

Em Ana. Sem Título, acompanhamos Stela (Stella Rabelo), uma atriz brasileira que está realizando uma espécie de documentário sobre cartas trocadas por artistas plásticas sul-americanas na década de 70 e 80. Viajando por alguns países da América Latina, ela coleta documentos, trabalhos e outras informações sobre a realidade vivida por essas artistas durante as ditaduras. É assim que ela descobre a existência de Ana, uma jovem brasileira que desapareceu neste período sombrio. Obcecada pela personagem, Stela, então, resolve encontrá-la e descobrir o que aconteceu.

O filme dirigido por Lucia Murat traz um recorte sobre uma personagem inicialmente real, mas conforme vamos avançando a história percebemos que o filme tem como função mostrar como mulheres, principalmente mulheres artistas se manifestavam nas ditaduras sul-americanas. 

Mesmo com essa mistura de ficção e realidade, o longa mantém a estrutura de uma documentário, de ter uma câmera acompanhando a protagonista da história, de um plano mostrando a entrevistada e as discussões de como prosseguir quando se tem uma pista de onde podemos encontrar Ana.

Crédito: Taiga filmes

Inclusive há os momentos de quebra da quarta parede, porém são nas histórias contadas que o longa se sobressai, através do pretexto de se encontrar Ana vamos encontrando mulheres que vão contando um recorte de suas vidas. E vamos de uma forma didática entendendo como é ser um mulher na ditadura, ou pior ainda, uma mulher artista.

Na parte ficcional temos um roteiro que sabe unir o que é colocado em tela para manter a mística de Ana, somos atraídos pela história e pela busca. Muito também pelas locações escolhidas, os locais simbolizam a violência a mulher e a família e quando isso se une a uma mulher dando seu testemunho tudo fica ainda mais real.

Ana busca encontrar sua forma de contar a história em tela e até mesmo ‘cria’ uma Ana, a atriz Roberta Estrela D’Alva (Slam a Voz do Levante) faz as interpretações que teoricamente foram feitas pela protagonista. Estes momentos sutis de trazer as obras para uma pequena performance durante os momentos duros, trazem leveza e um pouco de arte concreta, já que há muitos elementos que são apenas descritos. 

Crédito: Taiga filmes

Ao abordar a ditadura na América do Sul é uma tarefa complicada, já que envolve tortura, pessoas desaparecidas e vidas destruídas. O longa traz uma narrativa focadas nas histórias, sem precisar se apoiar em uma imagem dura, ele busca mostrar os locais onde ocorriam as torturas, os locais feitos em homenagem aos desaparecidos, inclusive no Brasil. Traz claro uma leveza ao título, mas não fica alheio a história dura que buscar mostrar ao espectador.

Também há a preocupação de falar de presente e futuro, de como essas histórias ecoam dentro das pessoas entrevistadas e no país em questão. Não fica aquela sensação de um sentimento localizado e que tudo se resolveu ao longo do tempo, há as cicatrizes fechadas e abertas deste tempo. 

Ana. Sem Título consegue mostrar uma narrativa dura e ao mesmo tempo dar um ar ficcional que entretém e que chama atenção. E dar um rosto, mesmo que fictício a Ana traz um pouco da performance da época, deixando claro quem eram essas mulheres e suas obras.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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Twitter: @PareceSerio

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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