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| Helen | Crítica

Em um filme real e com bons arcos dramáticos, Helen chega aos cinemas mostrando uma realidade comum no Brasil. Confira a crítica completa.

Helen (Thalita Machado do Nascimento) vive com a avó, Dona Graça (Marcélia Cartaxo), que também cumpre o papel de mãe e pai e sustenta a família a partir de trabalhos informais. O aniversário da avó está chegando e Helen tem apenas uma preocupação, juntar dinheiro para comprar um presente: um kit completo de maquiagem. É a partir dessa busca que Helen desvenda o cotidiano típico de quem vive nos cortiços do Bexiga, construindo uma história coletiva a partir da teia de relações que a menina estabelece.

O diretor André Meirelles Collazzo, que também foi responsável pelo roteiro traz uma narrativa real e densa para a telona. A história é baseada na é inspirado na história real de Agata Helen Garcia Almeida e Maria das Neves de Almeida. Dona Maria – no filme como Dona Graça – é uma senhora que migrou da Paraíba para São Paulo aos 14 anos, e vive no Bixiga, onde vende churrasco na calçada, recolhe aluguéis para o dono do cortiço onde mora e faxina outros imóveis do mesmo proprietário. Para deixar essa realidade ainda mais dura, temos cenas de perto e diálogos fortes.

Para mostrar o cortiço de uma forma diferente, o diretor usa uma câmera que segue os personagens para mostrar os ‘sobe e desce’, as distâncias entre as casas e o banheiro coletivo. Várias cenas temos algumas saídas técnicas para valorizar os diálogos, até uma câmera mais afastadas no churrasquinho de rua traz um bom resultado.

Crédito: Alziro Barbosa

Mesmo se passando em um bairro, temos um filme imersivo, pois vamos conhecendo os personagens e suas realidades. E como todos eles estão fazendo o máximo para sobreviver e manter as contas em dia a sua maneira. Os planos sequências auxiliam neste processo, pois todos os personagens fazem tudo com naturalidade e deixam o longa ainda mais real.

O roteiro não só tem uma grande história, como ele traz diversos olhares através dos personagens, nas cenas da avó temos um olhar mais carinhoso e cuidados pela neta. As cenas da neta trazem a inocência da criança, e ainda temos espaço para truculência da polícia com os mais pobres, e as pessoas que erram das formas mais inescrupulosas.

A história tem arcos dramáticos duros espalhados pela história, para equilibrar temos diversos momentos de afeto, para mostrar como os moradores se protegem de alguma forma, também temos diálogos reais, mostrando que a realidade não fica só na história original, é difícil não se encartar e sentir o que ocorre na tela.

Crédito: Alziro Barbosa

O longa também mostra que elementos simples podem ter significados maiores, a própria caixa de maquiagem que é o sonho de consumo da neta para presentear a vó, é basicamente um personagem, já que ele mostra superação, desejos maiores e que não devemos nos importar com a opinião alheia para conseguir nossos sonhos.

As relações humanas mostradas em Helen não destoam da narrativa proposta, e ajudam a incorporar novos elementos ao que ocorre, mesmo com a tentativa frustrada de unir a família de Helen, temos um elemento que faz sentido e agrega.

As atuações são centradas, já que temos uma história presente no Brasil, Marcélia Cartaxo (Pacarrete) faz uma avó que não desiste em nenhum momento de ver a neta ser alguém na vida. E como ela tem diversos dramas para sustentar, apenas uma grande atriz como Marcélia dá conta do papel e Thalita, mesmo tendo muitos temas infantis, faz um bom papel.

Helen é um retrato de uma parte da população e temos um filme que imprime isso com facilidade, seja como diálogos duros ou uma câmera fluída que deixa tudo ainda mais perto do espectador.

Nota: 4/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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Twitter: @pareceserio

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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