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| Veneza | Crítica

Em um filme lento, mas belíssimo, Veneza e Miguel Falabella traz um longa cheio de fantasia e narrativas bem explicada. Confira a crítica completa.

Reencontrar o único homem que amou é o sonho de Gringa (Carmen Maura), dona de um bordel no interior do Brasil. Mesmo cega e muito doente, ela insiste em realizar seu último desejo: ir até Veneza para pedir perdão ao antigo amante, que abandonou décadas atrás. Para levá-la à cidade italiana, Tonho (Eduardo Moscovis), Rita (Dira Paes), Madalena (Carol Castro) e as outras moças que trabalham para Gringa idealizam um fantástico plano.

Miguel traz uma adaptação da peça “Venecia”, de Jorge Accame e temos aqui não só a história em outra mídia, e sim uma história grandiosa digna do material original. Para essa adaptação ele trouxe Carmen Maura, considerada a musa de Pedro Almodóvar, por causa das suas participações nos filmes do diretor espanhol. E Miguel sabendo da grande potência que tem nas mãos e monta sua narrativa entorno dela.

Crédito: Mariana Vianna

Veneza tem um grande elenco Dira Paes (Rita), Eduardo Moscovis (Tonho), Carol Castro (Madalena), Caio Manhente (Julio), André Mattos (Mestre) e Danielle Winits (Jerusa). O roteiro feito pelo diretor tem uma dura missão equilibrar tantos nomes, dar a todos uma narrativa, e profundidade aos seus atos. E ele consegue, temos aqui personalidades diferentes e cada um reagindo de uma forma diferente, claro, que temos alguns problemas, mas nada que prejudique o resultado.

O ritmo do filme, mesmo sendo uma história linear, é lento, ele busca explicar todos os detalhes e personagens antes de entrar nos elementos fantásticos, o que é uma grande atitude, mas isso mexe no balanceamento do filme, principalmente por algumas explicações repetidas e cenas com nudez que poderiam não estar no corte final.

Crédito: Mariana Vianna

O longa quando entra no elemento fantástico para proporcionar a Gringa a experiência de Veneza é estupenda, não só pelas escolhas gráficas e técnicas, mas por trazer diversos elementos de circo, elementos de fantasia e enquadramentos que privilegiam a história. Miguel inclusive coloca pequenos planos sequências com uma câmera gira entorno da cena, traz um efeito interessante aos diálogos.

O grande elenco corresponde bem aos papéis que possuem aqui, as mulheres do bordel da Gringa tem personalidades diferentes, Dira traz um pouco de mãe para as cenas, pois ele se preocupa com todas e faz do sonho de Gringa sua realização pessoal, Carol Castro é a mais a vontade nas cenas de nudez, e tem a história mais densa principalmente por ser o ponto que liga o bordel ao ‘mundo externo’.

Os núcleos de histórias se unem com facilidade e temos muita fluidez nessas uniões, nada de desculpas espalhafatosas para juntar tudo. Claro que isso tudo isso é facilitado pelos poucos lugares que a história se passa, mas quantos filmes que já vimos que as vezes temos um só lugar e as piores desculpas para ir de uma cena para outra. E não temos nada disso aqui.

Crédito: Mariana Vianna

Como a trupe deu um jeito de realizar o sonho de Gringa, o filme precisar unir as histórias fantasiosas com o que realmente está acontecendo. A montagem de Diana Vasconcellos une esses dois elementos de algumas formas interessantes, alguns momentos têm uma mudança clara como um corte simples, em outros com uma pequena mudança corporal dos atores muda a cena ao redor.

Por um dos núcleos ser um bordel, temos muitas cenas de nudez e sexo, mas é interessante perceber como a expressão das mulheres é diferente a cada cena e sua expressão de não mostrar prazer em alguns momentos com os clientes e mudar rapidamente para colocar uma nova emoção em cena.

Mesmo com o ritmo lento e cenas de nudez em excesso, Veneza encanta e traz uma atmosfera mágica aliada a uma filmagem precisa, roteiro que trabalha os principais personagens, com uma grande história para mostrar a realização de um sonho.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

Twitter: @pareceserio

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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