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| Nona: Se Me Molham, eu os queimo | Crítica

Em um filme que mistura o gênero documentário e investigação, ‘Nona: Se Me Molham, eu os queimo’ chega aos cinemas. Confira a crítica do filme.

Nona (66), uma atípica dona de casa, vive autoexilada em Pichilemu, um povoado costeiro, cercado por uma floresta misteriosa onde incêndios estranhos são atribuídos ao Diabo. Quando o vento e o Pacífico parecem demonizados, ela e seus vizinhos testemunham um grande incêndio que começa a destruir milhões de hectares de floresta no sul chileno. O céu está cheio de fumaça, o povoado se assusta a cada alarme de incêndio e o caos parece dominar. Enquanto mais e mais casas pegam fogo, essa intrigante protagonista exibe os diferentes lados de sua personalidade: Nona, a avó, Nona, a amiga, Nona, a anarquista, Nona, a contadora de histórias, brincalhona, mentirosa – e Nona, a incendiária.

Para mostrar essas diversas personalidades de Nona (Que é avó da diretora), Camila José Donoso traz uma filmagem que mistura tons, principalmente por filmar de uma forma que muda até as proporções da tela, embaralhar a história e trazer algumas cenas desfocadas. A narrativa aqui é contada de uma diferente do usual. E isso é ótimo.

Essa narrativa inicialmente confusa pelas escolhas técnicas, possui seus motivos, pois cada vez que a diretora ‘troca’ a forma de mostrar sua história é para mostrar um lado diferente de Nona, como se fosse um espectro de personalidade cada escolha, depois que o espectador entende isso, percebe-se que mesmo com estas escolhas, temos aqui um documentário dentro do gênero.

Crédito: Vitrine Filmes

Conforme passa o tempo vamos conhecendo Nona e suas personalidades, principalmente pela endemia de incêndios, mas temos um filme onde podemos perceber aquele amor de avó de Nona por Camila, vamos entendendo o passado político da protagonista e como ela pode ser suspeita dos incêndios.

Essa relação é bem contada, porém pouco aprofundada, ‘Nona’ é aquele típico documentário onde conhecemos a pessoa documentada e com pouco aprofundamento, sabemos algumas informações e é isso. Isso nos faz dificilmente coloquemos a culpa na protagonista, pois como não há peso e drama em suas falas, ela não parece suspeita. E forma como um dos personagens é apresentado, é típica de vilão. Claro que poderia haver uma reviravolta na história e mudar isso, mas Camila opta por um caminho seguro, mas bem filmado.

Crédito: Vitrine Filmes

Há também o desgaste dessa forma de filmar da diretora, pois quando nos acostumamos a fórmula, essas trocas ficam mais rápidas e menos investigativas conforme somos encaminhados para o final. A ideia diferente de filmar do começo do filme não se sustenta, por esse ritmo final que não condiz com o início.

Camila também opta por centralizar a história entorno de Nona, o que dá ao longa um tom de solidão, pois pouco vemos a protagonista conversando e interagindo com seu círculo social, outro ponto que não corrobora com a fama de incendiária que o filme tenta construir.

Mesmo com o degaste de tom e forma de filmar, ‘Nona’ passa muita naturalidade para a tela, pois é um relato de uma pessoa comum e quando vemos pessoas diferentes na tela como vizinho(a) também percebemos que são indivíduos centrados, sem grandes lampejos. Uma história como ‘Nona: Se Me Molham, eu os queimo’ precisa disso.

Nota: 2/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

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Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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