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| Ostinato | Crítica

Novo filme de Paula Gaitan, Ostinato, podemos ver Arrigo Barnabé em um tom mais intimista e como ele se comporta dentro e fora dos palcos. O média-metragem faz parte da abertura da Mostra de Cinema de Tiradentes. Confira a crítica completa.

O Arrigo Barnabé responsável por obras como ‘Clara Crocodilo’ é principal tema do novo documentário (Média-metragem, se preferir) de Paula Gaitan, ‘Ostinato’ não tem como missão homenagear o compositor e sim mostrar seu processo criativo, de uma forma intimista e com uma câmera bem próxima.

Paula mostra principalmente o processo de composição e como ele foi se diversificando ao longa da carreira. A diretora o deixa falar para a câmera, sem ouvirmos sua voz, a não ser no final onde ela dialoga sobre uma fala dita, mas ela o deixa divagar e principalmente falar de música.

‘Ostinato’ também tem a preocupação de mostrar o protagonista dentro e fora dos palcos, como ele treina no piano e se mostra um grande conhecedor de música clássica. Como é interessante vê-lo ensaiando e como há uma total transformação quando ele está no palco. Paula soube mostrar os dois lados sem perder a forma de captação de imagens.

Percebemos que Paula o deixa falar para a câmera, sobre suas ideias, sua forma de entender a música erudita e como ela pode se tornar popular, mesmo sem olhar para a câmera, ele traz a todo tempo sua forma de pensar sobre música e a diretora faz o certo, o deixando falar e principalmente tocar.

A diretora também faz off’s com a voz de Barnabé onde ela coloca em momentos em que não há falas, como se estivéssemos ouvindo seus pensamentos enquanto toca ou realiza alguma ação, mesmo com essa forma inusitada, continuamos a perceber a opinião do compositor ao que o cerca.

Paula coloca Arrigo no mesmo plano que ela, como se fossem dois amigos conversando. O documentário usa o termo ‘Ostinato’ que é referente aos padrões musicais dentro de uma composição, para repetir trechos, por exemplos. Esse termo faz sentido com que vemos na tela, já que Arrigo fala de música e como alguns padrões são vistos em outras músicas.

Podemos ver apenas sobre música erudita neste documentário, mas temos algumas cutucadas digamos assim, como a forma que outros estilos fazem suas composições, sem menosprezar ninguém, mas Arrigo mostra que há algumas diferenças entre os estilos que interferem nas composições e temas das músicas, isso só mostra como Arrigo tem uma consciência musical diferente de nós.

Por ser um média-metragem, ‘Ostinato’ tem quase uma hora de duração, e quando estamos no em seu final e já nos acostumamos com a forma de vermos a história, ele se encerra, de uma forma abrupta, para valorizar a ascendência do compositor nas cenas finais e o diálogo entre diretora e Arrigo.

Temos aqui uma forma diferenciada de mostrar um compositor em um documentário e mesmo quem não conhece a obra de Arrigo Barnabé acaba se envolvendo principalmente pela forma com que a diretora monta seu média-metragem.

*Filme visto na 24ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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