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| Fale Com As Abelhas | Crítica

Em um filme que usa o preconceito homoafetivo como pano de fundo, ‘Fale com As Abelhas’ traz uma narrativa sobre amadurecimento e família. Confira a crítica completa.

Depois da morte do pai, a médica Jean Markham (Anna Paquin) volta à sua cidade natal para assumir as funções dele. Quando ela conhece Charlie (Gregor Selkirk) e sua mãe Lydia (Holliday Grainger) a sua vida toma um rumo inesperado que coloca a sua carreira e reputação em risco. Uma sensível história de amor e luta contra o preconceito que movimentará uma pequena cidade escocesa na década de 1950.

Se imagina com o andamento do filme que o relacionamento das protagonistas será o ponto central do filme dirigido por Annabel Jankel, mas o longa irá fazer uma abordagem sobre família, companheirismo e sociedade, respeitando a década retratada, mas sabendo mostrar como as pessoas mudaram (ou não) até hoje.

O roteiro de Henrietta Ashworth e Jessica Ashworth mistura diversos sentimentos, pois aborda perda, depressão e amor em diversos momentos. Alguns momentos percebemos isso em um ritmo mais intenso e em outros de uma forma mais orgânica e crescente, fazendo analogias de como nossos sentimentos mudam dependendo do ambiente e da forma como somos tratados.

O preconceito permeia a narrativa de formas diferentes, já que temos uma médica mulher e depois um relacionamento homoafetivo. A diretora faz tomadas para deixar tudo as claras, mas em nenhum momento há erotização das duas mulheres, para dar mais ênfase aos diálogos e abordagens dos personagens secundários.

A fotografia é fria, com pouco momentos de cor, mesmo quando as protagonistas estão juntas, essa escolha estética faz sentido devido a ser um filme de época, mas há algumas cenas que carecem de uma boa iluminação, não atrapalha a visualização, mas algumas escolhas técnicas são questionáveis.

As duas protagonistas feitas por Anna Paquin e Holliday Grainger são bem distintas que faz com suas interações tenham bons diálogos e diferentes abordagens e são um casal clássico, que se une no momento de adversidades e na rotina do dia a dia acabam se apaixonando, mas uma atuação que não pode passar despercebida é de Gregor Selkirk que mesmo sendo uma criança dividida em mãe e pai, faz boas cenas dramáticas e muitos dos pontos de viradas são focados em seu personagem, claro que o roteiro soube preservar a inocência de criança principalmente nas cenas com as abelhas.

As abelhas aqui são quase um amigo imaginário de Charlie, pois ele as usa para desabafar sobre as condições da mãe, sobre seus anseios e formas de ver a vida. Esse suporte se expande para outras subtramas, ganhando até outros ares nos atos finais no final do filme.

A construção do preconceito aqui é diferente dos longas atuais por justamente não ter cenas de ‘pegação’, mostrando que um filme que abordará este assunto não precisa deste tipo de cena para contar sua história, que pode ir mais além por justamente ter duas mulheres diferentes.

‘Fale com as Abelhas’ tem uma história, que comunica bem com o espectador atual, mesmo se tratando de uma história da década de 50 e soube tratar bem os temas principais aliados a atores e atrizes que estão muito bem inseridos em seu papéis.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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