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| Teocracia em Vertigem | Crítica

O Porta do Fundos traz seu novo especial de Natal, dessa vez diretamente no seu canal de Youtube, ele é mais ‘leve’ que os anteriores, mas não perde seu poder de crítica de como o Brasil passou seu 2020.

Dessa vez, o grupo Porta dos Fundos não traz uma história para seu especial de Natal, ele traz uma nova linguagem. Neste ano veremos um documentário sobre a vida de Jesus (Fábio Porchat), ou seja, sem ser uma história, como foram os episódios anteriores. E essa linguagem de documentário se mantém por toda a história afim de mostrar Jesus através das falas dos que conviveram com ele.

Por causa dessa nova abordagem do grupo, temos a sensação que ele é mais leve que os anteriores, devido a forma com que os acontecimentos de 2020 são abordados, dessa vez não temos cenas que mostram o que vivemos, temos falas que trazem detalhes, principalmente políticos do Brasil, por exemplo, dessa vez Judas (Rafael Portugal) vendeu Jesus por 89 moedas de pratas, em alusão ao valores que Michele Bolsonaro recebeu em sua conta e até hoje, não foram explicados.

O elenco deste especial possui mais participações especiais do que os anos anteriores, como os personagens não interagem entre si e as tomadas são bem ‘separadas’ cabe uma maior participação de mais atores e atrizes. Todos(as) estão em ótima forma, fazendo uma ‘ponta’ marcada. O destaque dessas participações fica para Renato Góes que faz um Barrabás sexy que flerta com a câmera a cada aparição.

Por ser um especial feito de uma época específica, os detalhes que vemos nos cenários e fotografia são primorosos, mesmo nas cenas noturnas, elas estão bem montadas e iluminadas. Os atores e atrizes estão bem inseridos em seus personagens, que faz com que todo o cuidado técnico fique ainda melhor.

Por ter uma forma diferente dos especiais anteriores, este episódio é o mais leve, mas não perde a característica do grupo em trazer o que ocorreu de uma forma ácida e sem rodeios, nada aqui fica subentendido. O roteiro soube colocar nas falas o acontecimento, sem depender de duplo sentidos ou adaptações. Claro, que sobrou espaço para dar aquela cutucada na religião que virou quase uma especialidade do canal.

Uma pessoa que conhece minimamente a história de Jesus, sabe da linha do tempo e dos eventos que ocorreram. Por isso o ‘documentário’ não perde tempo explicando os fatos, o enfoque são os amigos de Jesus contado sua convivência com o protagonista e como ele se tornou essa presença.

Mesmo tendo essa forma mais ‘leve’ de abordar os fatos, não se engane, o ‘Porta’ cutucou muita gente ao longo de se especial e deve novamente ter muitas críticas negativas, mas eles fizeram algo neste novo que deve diminuir os problemas futuros, pois tudo aqui não passa de uma ‘citação’ sem grandes cenas envolvidas na fala ou de explicações. E como eles lidaram com fatos que realmente ocorram, dizer que eles fizeram algo errado é incorreto e impreciso.

‘Teocracia em Vertigem’ pode ter uma qualidade inferior de cenas realizadas, mas mantém o humor característico do grupo em um bom Especial de natal, que que funciona como uma retrospectiva do ano do Brasil em 2020.

Nota: 4/5

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