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|Análise| Carência, Desapego e 500 Dias Com Ela

500 dias Com Ela completa 10 anos de lançamento. Confira nosso especial.

Pode não parecer, mas já vão fazer 10 anos desde o lançamento de 500 Dias Com Ela. O longa dirigido por Marc Webb se tornou um dos maiores sucessos da última década, virando um verdadeiro marco na cultura pop dos anos 2000, e alavancando o nome de Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Lewitt, seus protagonistas. Sua leitura fácil de roteiro, trilha sonora e caracterização de personagens tornam 500 Dias Com Ela uma obra muito empática, mas já iremos abordar esse lado do Filme.

À partir desse momento, não pouparemos spoilers sobre o filme. Se bem que, um filme de 10 anos já não pode ser mais considerado segredo, e se você está aqui, é porque provavelmente já assistiu.

Assista ao trailer:

500 Dias Com Ela narra de forma não linear a história de Tom Hansen, e a sua visão sobre seu relacionamento com Summer Finn. Os dois se aproximaram por trabalharem juntos e terem alguns interesses em comum, como artes, cinema, música, etc.

Tom é um cara que vê a vida com um tom simplista, e de que as coisas funcionam de acordo com um certo roteiro. Acredita no “amor verdadeiro”, é muito apegado ao lugar onde mora, e de certa forma também a sua rotina. Já Summer se mostra desprendida de quase tudo a sua volta. Nunca criou raízes em lugares, pessoas ou costumes. Não acredita no “amor verdadeiro”, e se mostra mais interessada em viver o seu momento do que jogar sua âncora em alto mar. E é aí, que os conflitos começam a aparecer.

Durante anos, os filmes de comédia romântica nos mostram, de forma utópica e ingênua de como os relacionamentos funcionam, de fato. Um exemplo desse nicho caracterizam e muito este modus operandi da indústria é a já famigerada fórmula de Adam Sandler, utilizada em praticamente todos os seus filmes. O cara de classe média, que faz piadas ruins, nada atraente fisicamente ou intelectualmente, que faz diversas burradas ao longo do enredo, mas no final, acaba ficando com a mulher de seus sonhos devido ao seu bom coração (?).

Esse exemplo, ou o caso da garota atrapalhada e neurótica que fica com seu príncipe encantado, retratada nos filmes de Jennifer Aniston, passa a imagem simplista de que o amor funciona dessa maneira pra muita gente. É o caso de Tom, que assiste com Summer A Primeira Noite de Um Homem, um filme em que o protagonista interrompe o casamento de sua amada e foge com ela. Tom acredita que a motivação do ocorrido no final do filme, é sua definição do que o amor é em sua essência. Sabemos que se interrompermos o casamento de alguém ou acabarmos com a nossa vida social, como retratado em Tratamento de Choque, a probabilidade de conquistar alguém é praticamente nula. Não que esses filmes nos influenciem a acreditar nisso piamente, mas de certa forma, nos dão o conforto de que as coisas vão ficar bem, independente do que nós somos, quando na verdade nem sempre é assim.

      Foto: Reprodução

Longas discussões foram levantadas na internet sobre quem está certo, e de quem é a culpa para o romance de Tom e Summer não ter ido para frente. O fator principal disso ter acontecido, e para a maioria dos relacionamentos não darem certo é a falta de sensibilidade. Quando se diz respeito à sensibilidade, se define a habilidade empática de (literalmente) sentir e ler o sentimento, as expressões e as vontades das pessoas.

Tom imagina um universo onde tudo corresponda de acordo com suas expectativas. Ele crê que por ter os mesmos interesses artísticos que Summer, e por ele gostar muito dela, isso é o suficiente para que os dois fiquem juntos. “Mas eu gosto muito de você, não entendo porque não podemos ficar juntos”. Você já deve ter escutado isso. Chega a ser engraçada e bizarra a maneira que Tom se baseia no conceito de que Summer é a mulher de sua vida, apenas levando em consideração o que eles têm em comum, e o como ela é distante de tudo aquilo que ele tem como projeto de vida.

Summer, como já dito, é extremamente desapegada à tudo que viveu, e se concentra apenas no seu presente. Em diversos momentos, ela expõe isso para Tom, que tem total consciência do que está acontecendo, afinal, como também mencionado, o filme é baseado em sua ótica sobre o relacionamento. Os únicos erros de Summer, porém, tenham sido convidá-lo para uma festa em seu apartamento e anunciar que está noiva, e após os dois terminarem depois da primeira discussão, ir atrás de Tom e reatar o namoro. Isso não faz com que ela seja vilã da história, que fique bem claro. Porém, tanto o exemplo de visão de Tom , quanto o de Summer, poderiam ser evitados caso houvesse um senso maior de sensibilidade durante seu envolvimento.

Tom espera que sua vida amorosa seja resolvida como a de Dustin Hoffmann em seu filme preferido, mas é irreal pensar de que existirá um final feliz quando um relacionamento diversas vezes sofreu com seguidos confrontos ideológicos. O sensacional de 500 Dias Com Ela é justamente por representar a humanização deste tópico nos cinemas, e que sim, nós vamos algum dia quebrar nossa cara por amor. É causar a reflexão de nossas próprias atitudes, e se estamos sendo coerentes com nossos sentimentos e os alheios, ainda mais em tempos de “contatinhos” e onde se aborda o termo “relacionamentos líquidos” ou “relacionamentos tóxicos”, sendo uma súplica para que seja exaltado a sensibilidade e a forma como nos relacionamos com o próximo.

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