Pip: Vampiros em cidade do interior, eleição local e uma quantidade suspeita de cachaça — Bruno Simioni Cunha encontrou o cenário perfeito para uma fábula gótica, e o cenário parece ter concordado.
Mara: Hoje no Não Parece Mas É Sério, a gente entra em Furnas Fundas: Uma Fábula Gótica Brasileira para entender o que acontece quando o horror sobrenatural decide se instalar no coração do interior brasileiro. Vamos começar pela crítica do filme.
Furnas Fundas: o sobrenatural no coração do interior
Pip: A questão central aqui é se um filme de vampiros consegue ser genuinamente brasileiro sem abrir mão do que faz o gênero funcionar. Furnas Fundas aposta que sim — e usa uma eleição municipal como campo de batalha antes mesmo de mostrar o primeiro dente afiado.
Mara: A crítica estabelece bem esse ponto de partida. O contexto é a divisão política de uma pequena cidade, e a observação é direta: “enquanto todos estão preocupados com a campanha, existe uma ameaça muito mais antiga esperando para despertar.”
Pip: O que isso significa na prática é que o filme tem duas camadas de tensão funcionando ao mesmo tempo — a humana e a e deixa a segunda crescer devagar enquanto a primeira já está fervendo.
Furnas Fundas: Uma Fábula Gótica Brasileira | Crítica
Mara: E a construção visual sustenta essa escolha. A fotografia diferencia ativamente os momentos do núcleo humano daqueles em que os vampiros passam a dominar a narrativa, o que ajuda o filme a construir uma identidade própria sem depender só do roteiro para separar os dois mundos.
Pip: Tem também uma escolha de elenco que vale mencionar: personagens bastante caricatos. Isso pode parecer exagero, mas a crítica aponta que cada figura tem uma funcionalidade clara — eles constroem o retrato de uma comunidade específica, não só um pano de fundo genérico.
Mara: O centro disso tudo é Bartira e sua gangue de deslocados — os excluídos da cidade que acabam sendo os únicos capazes de responder à ameaça. Colocar justamente quem seria ignorado no papel de protagonista é descrito como uma das ideias mais interessantes da história.
Pip: O ritmo lento pode testar a paciência de quem quer que o sobrenatural entre logo. Mas a crítica argumenta que o filme ganha com isso: você acompanha o despertar do mal junto com os personagens, não antes deles.
Mara: O ponto fraco identificado é a mitologia — ela não recebe aprofundamento suficiente, algumas questões ficam mais sugeridas do que exploradas. A nota final é três de cinco: funciona pela atmosfera e pelo enraizamento brasileiro, mas poderia ir mais longe no que construiu.
Pip: No fundo, a pergunta que o filme responde é simples: o horror precisa ser importado para assustar? Furnas Fundas diz que não — e a cachaça no bar concorda.
Mara: O que fica é a aposta de que o fantástico funciona melhor quando pertence ao lugar onde acontece — não colado por cima, mas nascido dali.
Pip: Cidade pequena, eleição, vampiros e excluídos no centro da história. Da próxima vez, a gente vê o que mais o interior brasileiro está escondendo.
