A Outra Forma usa a distopia para trazer a criticar a sociedade, principalmente as modificações corporais.

O longa-metragem A Outra Forma nos leva a um futuro próximo onde a humanidade constroi um paraíso quadrado e artificial na superfície da Lua, que só pode ser alcançado quando corpos e mentes adquirem formatos quadrados. Para isso, lançam mão de engrenagens, ferramentas, dispositivos corretivos e até cirurgias, que moldam seus corpos como cubos. Entre estas pessoas, há um cidadão, que guarda internamente questionamentos sobre sua individualidade e o que poderia dar errado.
O protagonista busca esse encaixe ao alterar seu corpo para ter seu lugar, e usa de artifícios para alcançar seu lugar, e percebemos que não é uma escolha pessoal e sim da sociedade, todos têm algo para mudar sua aparência.
O diretor e roteirista Diego Guzmán usa o traço e a distopia para criticar a sociedade que sempre mostra padrões de beleza inalcançáveis, e o interessante que ele faz isso sem precisar de um diálogo, e sem grandes exageros.
A linearidade de fatos nos aproxima da história e nos dá empatia com o protagonista, entendemos seu sofrimento em alcançar o padrão da sociedade e como ele sente quando não consegue estar nos padrões.

Essa carga sentimental é balanceada pelos atos e estruturas, passando pelos bons personagens secundários e subtramas que ele também desenvolve pela história principal, tudo tem seu momento e bem estruturado nos desafios.
Outro contraponto é a ausência de um vilão como personagem, aqui essa parte foi transmitida pela própria sociedade que impõe seus pensamentos em momentos chave e estruturais, como os locais de moradia, ferramentas e total ausência de círculos, até as nuvens são modificadas.
O único imbróglio é a passagem de tempo que não é clara ao espectador, principalmente pelas escolhas do protagonista, algumas vezes entramos na loucura proposta pelo diretor e outras estamos tentando entender qual o próximo passo.
A sociedade não parece se incomodar estruturalmente com nada, e todos se sentem bem com suas escolhas para vida, não há incômodos entre eles, como se fosse algo normal, essa sensação vem de nós, que nos sentimos incomodados quando eles modificam seu corpo.
A loucura de tudo é exagerada, mas bem balanceada e montada em uma animação diferente em diversos aspectos, que chama a atenção em diversos fatores e momentos, e consegue se superar em diversos pontos.
Nota: 4/5
Contato: naoparecemaseserio@gmail.com
Youtube: Canal do Youtube – Não Parece Mas É Sério
Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio
Instagram: @naoparecemaseserio