Cinema, Crítica de Filme

Babilônia | Crítica

O filme acerta em seus arcos narrativos, mas não justifica em alguns momentos, as suas três horas de duração. Confira a crítica completa.

Brad Pitt como Jack Conrad e Diego Calva como Manny Torres. Crédito: Paramount Pictures

Sabe aquele diretor que aparece, e logo em seus primeiros trabalhos consegue chamar a atenção, não só da crítica especializada, quanto do público em geral. Esse é o caso de Damien Chazelle, vencedor do Oscar por La La Land (2016) e outros trabalhos de destaque como Whiplash: Em Busca da Perfeição (2014). E segundo ele, havia um filme que ele sempre quis fazer, este é o Babilônia (2023). 

Diferente de Steven Spielberg que conta a sua relação com o filme, Chazelle quer contar uma história sobre cinema, no caso a transição do cinema mudo para o falado e colorido. E para isso temos um grande elenco, Brad Pitt (Jack Conrad) um ator do cinema mudo, Margot Robbie (Nellie LaRoy) uma estrela em ascensão e Diego Calva (Manny Torres) que vê no cinema a sua chance de ter um trabalho que traga significado para a sua vida.

O roteiro tem o foco neste trio, onde temos a preocupação de dar um começo, meio e fim para cada um deles, mesmo que muitas vezes suas histórias não se entrelaçam, e também temos tramas separadas para cada um, cada um tem sua jornada dentro de Babilônia e as atuações deles são magníficas, principalmente a de Margot.

E para trazer essa atmosfera de uma época específica do cinema, temos cenários, grandes planos e uma trilha que estrutura o filme e dita o ritmo durante as três horas, fazendo com os atos sejam concretos e pouco espalhafatosos, as cenas em si fazem este trabalho.

A trama segue a linearidade que para esta história é importantíssimo, para mostrar as novas formas de se fazer cinema e como se encaixar nas linguagens que agora se apresentam, Damien mostra a sua assinatura aqui, a fim de entender o seu filme como um produto único.

O problema é que ele se perde em pequenos momentos, que são completamente desnecessários, por exemplo, a festa que aparece nos trailers. Ela é espetacular visualmente falando, mas temos pequenas circunstâncias que são completamente descartáveis, que acabam sendo um momento exagerado ou extravagante do que algo essencial. Nessas horas, não dá pra justificar as três horas.

E como cada personagem tem sua jornada, há como explorar cada uma. Brad faz o ator que era uma estrela e na mudança, se tornou descartável, isso traz uma carga de tristeza e agonia que Pitt carrega e faz crescer nos avanços do tempo da história. 

Margot por estar em evidência, e que quer continuar na transição, a carga emocional e psicológica também é demais e acarreta problemas e ela se perde. Para trabalhar elementos como autodepreciação e depressão, e tantas outras camadas, Robbie está estonteante. A maior chance de Babilônia estar em uma premiação em atuação, é por causa dela.

Margot Robbie como Nellie LaRoy Crédito: Paramount Pictures

A grandiosidade do filme enche os olhos, por termos cenários enormes, muitos figurantes e cenas, não há como ficar indiferente quando ele mostra os diferentes tipos de fazer cinemas, não só pelos detalhes e elementos usados, Damien não explicar de alguém explicando, o seus elementos técnicos falam por si.


Babilônia tinha potencial para algo mais, por ter as suas grandes cenas e se preocupar com os arcos narrativos dos seus protagonistas, mas se perde em momentos estranhos e constrangedores, se fosse mais ‘pé no chão’ e rolasse uma limpeza neste corte, ficaria melhor.

Nota: 2/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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