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Jack Ryan | Review

Em uma trama que se baseia no clichê da guerra nuclear entre Estados Unidos e Rússia, a nova temporada de Jack Ryan impressiona nos núcleos fora do agente. Os novos episódios já estão disponíveis no Prime Video.

John Krasinski (Jack Ryan)

Um agente que tenta impedir uma guerra nuclear entre Estados Unidos e Rússia, parece algo que já vimos em algum lugar certo? Exatamente, a nova temporada de Jack Ryan que chegou recentemente ao Prime Video, usa algo que diversos filmes e séries de agentes especiais já usaram de alguma forma, mas o que chama atenção nessa nova leva de episódios, é como são explorados os núcleos que envolvem Ryan, do que ele próprio.

Na terceira temporada da série de suspense e ação, Jack Ryan (John Krasinski) está trabalhando como agente da CIA em Roma quando é avisado de que o Projeto Sokol, um plano secreto para restaurar o Império Soviético, está sendo ressuscitado mais de 50 anos depois de ter sido terminado. Jack embarca em uma missão para confirmar a operação, mas as coisas rapidamente dão errado e ele está injustamente envolvido em uma conspiração ainda maior.

Os oito episódios buscam trazer a espionagem e pouco a ação para resolver seus entraves, e com isso o protagonismo de Ryan é dividido pelo núcleo secundário que é construído ao longo da trama. Wendell Pierce e Michael Kelly reprisando seus papéis como o oficial da CIA James Greer e o ex-oficial da CIA Mike November, respectivamente, ganham espaço para novos elementos serem introduzidos e serem trabalhados pelas narrativas.

Além de um conflito que já conhecemos, também temos o elemento de ‘bode expiatório’ que Ryan tem no início, e também teremos a jornada de redenção do herói, para provar seu valor, ele acaba quebrando algumas regras. Novamente, sem surpresas.

Ação

A série tem mais elementos de espionagem do que ação, mas as cenas pontuais são bem utilizadas e fazem sentido para o que é criado. Nada de perseguições sem motivações, ou apenas para mostrar habilidades do protagonista. Elas são orgânicas e incorporadas a grandes momentos. E lembrando de como Michael Bay é um dos produtores da série, elas são bem filmadas.

Michael Kelly (Mike November), John Krasinski (Jack Ryan)

As lutas possuem um tom urbano e boas coreografias, nada de exageros ou de movimentos sobre humanos, como nos acostumamos em séries de super heróis. A briga é intensa, mas pautada pelo real, e algo raro é trazido aqui, de como os ferimentos permaneceram pelos episódios seguintes. Apanhar dói e traz marcas ao corpo.

No quesito porradaria entre inimigos, temos claro, uma vantagem para o protagonista, e seus parceiros acompanhando a seu jeito. E tem seu próprio modo de lutar e atirar, uma marca da série em trazer personalidades diferentes aos núcleos, foi mantido nessa nova leva de episódios.

E as paisagens de Moscou, Atenas e Praga ajudam nas cenas, principalmente nas perseguições.

Trama comum no início

Colocar um personagem de Tom Clancy para algo ‘comum’ na espionagem, foi um erro. Afinal, os primeiros episódios funcionam como esperamos, seja pela condução ou pela resolução dos primeiros problemas. 

John Krasinski (Jack Ryan), Wendell Pierce (James Greer)

Os pontos de criatividade aparecem apenas com o avançar da trama principal e quando conhecemos melhor os dois lados da história, fica mais interessante ao espectador, principalmente por incorporar as subtramas que funcionam sem precisar de Ryan. Há andamentos que não precisam de sua atenção para ocorrer.

As adições de Alexej Manvelov (Alexei) e Nina Hoss (Presidente Hovac) chama atenção pelo seu tempo de tela nos episódios e também mantém o ritmo centrado.  E como os eventos são lineares, facilita alguns processos. 

Momentos de respiro

Diferente da segunda temporada, onde há momentos acelerados e depois, poucos aproveitados na sequência. Aqui, os produtores e showrunners colocaram momentos de respiro e principalmente de explicação, principalmente quando Jack precisa se provar.

E focar na história é primordial em uma série de espionagem, e também abrir para outros espaços como secundários que fazem as próprias descobertas que agregam. E estes elementos não tiram o brilho de Jack, já que ele sempre está lá para salvar o dia.

A trama principal tem um fechamento importante no sexto episódio e as histórias seguintes são os ganchos necessários para a nova temporada (Que será a última) e deixar os personagens em pontos diferentes na trama.

Nina Hoss (Alena Kovac)

As trocas de narrativas mantém essa estética positivamente, nada de trocar a ação pelo diálogos. Há momentos para cada.

Mas esfria

Ter oito episódios é ótimo, se você ver um por dia, em um pouco mais de uma semana, você finaliza. Aqui não tem aquele episódio ‘filler’ que serve apenas para ser uma ponte entre eventos.

Mesmo com pouco tempo, a série esfria em questões de resoluções de elementos e adições de cliffhangers para as novas tramas. Principalmente nos últimos momentos, ela se perde, e precisa de Ryan para se movimentar novamente. Ele salva o país e o próprio programa.

Primeiro o governo, depois os espiões

A trama dos governos, que mesmo sendo clichês, tem um espaço de tela interessante, principalmente os representantes dele. As articulações dele, para atacar ou espionar o outro, ocorrem fora dos holofotes da equipe de Ryan.

E sem diversos personagens que fazem estes papéis, sem se apoiar nos presidentes das nações, os que os envolvem acabam tendo mais prestígio do que as grandes figuras, mostrando que o espectador deve desconfiar de todos.

O passado deles também faz parte, não só para justificar seus atos, e sim suas alianças que os firmam nestes cargos. E como eles podem jogar para conseguir seus objetivos. 

Conclusão

A terceira temporada foca na espionagem e pouco na ação, e por usar os elementos fora de Jack Ryan como algo importante, acaba sendo o grande destaque, mesmo que ele sempre salve o país no final das contas.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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