Cinema, Crítica de Filme

Decisão de Partir | Crítica

Decisão de Partir tem um desenvolvimento do mistério esperado, mas explora as linhas dos tempos do protagonista, em um filme com trocas intensas e visuais de encher os olhos.

O novo filme de Park Chan-wook (“Oldboy” e “A Criada”) tem um mistério para resolver, um possível homicídio de um homem encontrado aos pés de uma montanha. E através do detetive Hae-joon (Park Hae-il) e suas descobertas com a viúva Seo-rae (Tang Wei), que não mostra nenhum sinal de agitação com a notícia da morte do marido.

O roteiro do próprio diretor usa essa morte, mas abre outros conceitos, já que percebemos nas primeiras cenas que a mulher não parece ser tão interessante e que o mistério é apenas um ponto de partida. 

O foco é essa pseudo relação que inicia a partir de um trauma, vamos entender o quão heterogêneos ambos são, seja pela meticulosidade do detetive ou a falta de sentimentos que surgem durante os interrogatórios.

A atenção do espectador é voltada para como vemos essa história, a capacidade do diretor de inserir os personagens e novas tramas, a partir de trocas de planos e mudanças de direção. Ele insere um personagem na cena enquanto algo é contado, com uma facilidade que impressiona.

Essa simetria e troca de filmagem, são tecnicamente embasbacantes, elas aumentam a qualidade técnica de um filme que não tem um grande história para contar. E mal percebemos isso.

Os personagens até possuem bom desenvolvimento, mas o roteiro prefere deixar isso para outros momentos, para focar na morte. E depois nas relações deles, principalmente no detetive que é casado. 

Além dos planos insertivos, o longa também troca de narrativas com facilidade, ele muda a forma como vemos os eventos, e sua importância. Vamos do passado do detetive para o trabalho da viúva, com apenas um corte. É tudo muito natural aqui.

A relação turbulenta construída, trabalha com limites de acordo com as personalidades, o roteiro cria algo e dificilmente o quebra, ele cria as raízes da história e as mantém. Mesmo com os atos marcados de alguma forma.

Além da atmosfera, ele mantém a estrutura de uma resolução de mistério, entregando aos poucos elementos, enquanto faz isso ele estrutura a relação dos dois e seus ambientes. Principalmente a da viúva que parece manipular o detetive, por algum motivo. 

Por termos protagonistas diferentes, os sentimentos são divergentes também. O que pode parecer complexo inicialmente, pela mudanças temporais, porém isso é consertado nos diálogos e suas formas de troca de narrativas e intensidades.

Ele não tenta falar sobre certo e errado por ter uma morte, e sim de motivações. Do que levaria aquele resultado, e por não termos perfeição de pessoas, ele abre para discussões sobre o que coloca em tela. E sem perspectivas para uma grande mudança.

Decisão de Partir até possui uma história simples, mas são nos detalhes que vão te fazer embarcar nessa história e tentar entender como ela está sendo contada.

Nota: 4/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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