Cinema, Crítica de Filme

A Brigada da Chefe | Crítica

A Brigada da Chefe usa a culinária como meio para trazer temas importantes para a trama principal, mesmo que o enfoque seja a protagonista.

Filmes de superação, ou de se encontrar depois de um evento traumático são inúmeros, mas um ponto importante de A Brigada da Chefe de Louis-Julien Petit (As Invisíveis) é manter a culinária e as habilidades da sua protagonista firmes e focar na sua personalidade. 

No filme temos Cathy (Audrey Lamy), uma teimosa chefe de cozinha, está finalmente prestes a realizar o sonho de sua vida: abrir seu próprio restaurante. Nada sai como planejado e, enfrentando sérias dificuldades financeiras, ela relutantemente aceita um emprego na cafeteria de um abrigo para jovens imigrantes. Embora ela odeie seu novo emprego, as habilidades e a paixão de Cathy pela culinária começam a mudar a vida desses jovens — e eles também têm muito a ensinar.

A jornada de Cathy não nos surpreende inicialmente, afinal ela tem dificuldades para pedir ajuda e se relacionar em grupo, e seu contato com os jovens imigrantes a faz repensar seu trabalho inicialmente e depois sua vida. 

O núcleo dos garotos imigrantes possui muitos nomes e formas diferentes de atrair a atenção do espectador, seja pela história de como ele chegou ao país e seus sonhos. O tempo de tela entre essas linhas é um problema de brigada, pois falta um protagonismo secundário neste filme, o como há muitas tramas a serem trabalhadas, elas vão se perdendo com facilidade, mesmo elas sendo pautadas em história baseadas em fatos reais.

E o filme ainda quer discutir outros pontos como os programas culinários e seus pratos excêntricos, principalmente seus excessos. As cenas funcionam, mas tem o mesmo problema dos outros arcos, de serem bem apresentados e depois são ‘trocados’ rapidamente, para nossa sorte, há bons momentos nos temas.

Uma das justificativas dessas trocas intensas, é o protagonismo de Audrey Lamy onde sempre as histórias são canalizadas a ela, e sua personalidade em transformação, onde vemos a grandeza desse filme. Ela tem que lidar com as subtramas e estes excessos que o roteiro propõe, como a âncora da história. E ela é o grande destaque de atuação e transformação.

Principalmente por trazer seu passado e seu amor pela cozinha em primeiro lugar, e depois trabalhar na sua nova forma de ver a vida, seja ajudando o grupo a aprender a cozinhar e organizar e depois ser o seu porto seguro quando aparecem as dificuldades aparecerem. Mesmo com muitos secundários, as cenas de trocas são bem colocadas.

O longa é plural, seja pela quantidade de subtramas e significados que quer trazer, ele perde um pouco por algumas escolhas para manter o ritmo, mas os temas abordados são pertinentes, seja nos imigrantes, os sonhos de cada um e as transformações de diferentes idades. E ainda trazer aquela cutucada leve nos programas culinários é genial.

A ressignificação de Cathy é o único local que segue sem grandes mudanças para este tipo de filme, as conversas com os imigrantes e as mudanças que ela faz na cozinha do local, seguem a ‘cartilha’ como esperamos. O roteiro quer nos impressionar no que ocorre ao redor dela e como isso a modifica. 

E a história tem a capacidade de colocar o espectador na história, seja para criar empatia com os meninos principalmente, por causa de seus sonhos palpáveis e as direções que Cathy toma na carreira para melhorar de vida. 

Mesmo perdendo um pouco de força, por resolver rapidamente alguns arcos criados com os imigrantes, como há claro um cuidado em trazer tramas com elementos reais ou que façam sentido, não perdemos a história de rumo. 

A Brigada da Chefe não surpreende no arco da protagonista, mas sim, nas histórias que a envolve. Uma boa história é suficiente. Só não o veja com fome, pode atrapalhar. 

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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