Cinema, Crítica de Filme

| A Morte Habita a Noite | Crítica

Em um filme que mantém a estrutura da balança da vida e da morte, A Morte Habita a Noite usa seu protagonista para falar de dilemas do cotidiano.

Opiniões sobre a morte e a vida são variadas, seja no ponto de vista religioso ou pessoal. A forma com que conduzimos a nossa vida também, não há uma fórmula mágica do que fazer, da melhor forma de se conduzir. O máximo que compreendemos, é que são essas escolhas que norteiam o nosso tempo. A Morte Habita a Noite traz um retrato particular, da percepção de seu protagonista, mas aos poucos e com as novas personagens, o escopo fica maior, e os pensamentos dele, refletem mais diversidade.

O longa foca em Raul (Roney Villela), um escritor desempregado, que ao servir de outra taça de vinho enquanto um vizinho de cima salta para a morte. Sua namorada Lígia (Mariana Nunes) fica claramente mais aflita com o incidente, o que antes poderia ser mais facilmente digerido, agora não é mais. Durante uma noite conturbada, Raul conhece Cássia (Endi Vasconcelos), uma jovem desgarrada e cheia de vida que faz com que ele ressignifique o amor e a morte, numa busca por almas gêmeas em um mundo cheio de melancolia.

A direção de Eduardo Morotó antes de contar a sua história, é ótima para se acompanhar. Já que flui bem pelos pequenos espaços e deixa os atores em cena realizando seus diálogos alongados e muitas vezes com temas a serem discutidos. Mesmo tendo cenários pequenos que fazem sentido para a história, há muitos detalhes no entorno da cena.

Já o roteiro do próprio diretor, é uma crescente entre os atos. Ele começa como apenas um casal que passa por problemas pessoais e financeiros. E quando eles terminam, e o protagonista começa divagar sobre suas escolhas, falar de seu passado e suas percepções da vida, o longa muda totalmente.

Falar sobre vida e morte em uma história, não é uma missão simples. Afinal, o espectador muitas vezes, busca no filme uma forma de relaxar e se desconectar do mundo externo. E ter uma narrativa com camadas que fala, sobre o seu tempo na Terra e como ele vê a vida e morte, é uma missão ingrata, mas mesmo com um protagonista que tem suas opiniões definidas, temos como nos ligar a ele de alguma forma.

Como a morte é um tema presente, a fotografia é escura, como poucos pontos de luz, com muitas cenas à noite. Além de quase não termos elementos coloridos em cena. E as mulheres são utilizadas para novos elementos, mantendo a atmosfera criada. Cada uma é utilizada com plena consciência de suas ações. 

O protagonismo de Roney tem um crescimento de personagem intenso, e com diversidade de camadas, seja pela sua forma de viver a vida ou como as mulheres em sua vida trazem novas vivências. Ele responde bem as cenas e principalmente os locais que agregam sentimentos a suas escolhas de vida.

Os cenários e cores usadas são imersivas, entramos no diálogo e nas nuances de comportamento, mesmo sendo temas fortes e com entradas de novos elementos. Isso traz um longa com atos marcados, por alguns momentos recorrentes.

A crescência é o grande destaque de A Morte Habita a Noite, um filme de narrativas de percepções de vida, e escolhas humanas para continuar. 

Nota: 4/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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