Cinema, Crítica de Filme

| Môa, Raiz Afro Mãe | Crítica

Em um filme que mistura homenagem, legado e importância para a música. Môa, Raiz Afro Mãe sabe conduzir a relevância do Mestre Moa do Katendê, até mesmo para quem não o conhece. Confira a crítica completa.

Crédito: Gustavo McNair

Mestre Moa do Katendê contribuiu para a preservação e disseminação da a cultura afro-brasileira, e fez história em Salvador, levando 8 mil pessoas para as ruas, promovendo a reafricanização do carnaval baiano e influenciando uma geração de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Moraes Moreira e outros grandes da MPB. 

O nome do mestre ganhou destaque na imprensa internacional e em manifestações nas ruas de todo o Brasil, difundindo sua imagem como um símbolo de resistência cultural. Mas ele era muito mais do que isso: educador visionário, dedicou sua vida ao sonho de levar a cultura de raiz africana para o mundo, semeando a igualdade social.

O longa dirigido por Gustavo McNair lida com a morte de Moa durante a produção deste filme, por isso temos tantas informações sobre o legado que ele construiu e também, bastante didatismo para explicar a pessoa para quem não o conhece. 

Crédito: Vitoria Leona

Essa escolha traz linearidade aos primeiros atos para explicar sua trajetória, com a boa escolha de trazer suas músicas nestes momentos. A trilha que compõem o longa, tem, claro, canções dele. E elas acabam sendo a ‘desculpa’ para trazer os artistas e sua relação com ele.

A montagem preserva a forma clássica de um documentário, seja na forma de vermos as entrevistas ou da estrutura em si. Apenas a entrevista feita com Môa sai um pouco do básico, e traz as vertentes dele para a tela. 

Algo raro em filmes biográficos, é trazer os elementos políticos do momento. Môa foi assassinado em meio a polarização política de 2018. Isso traz um impacto ao longa, principalmente ao abordar a intolerância. E a forma como tudo ocorreu na época, é colocada com a abordagem certa, com a dose de realidade. Mesmo que isso prejudique o andamento do filme, por sair da trama principal, era necessário. 

Quando vemos um filme sobre um artista, sempre temos um escopo gigante, de como ele influenciou artistas pelo Brasil, mas a escolha em deixar a Bahia e Salvador como os pontos centrais, é primorosa. O roteiro faz da localização o seu trunfo. 

Crédito: Filipe Machado

E como temos cuidado para explicar a importância de Moa, acaba entretendo quem está o conhecendo por este documentário, seja pela linearidade ou pela estrutura final que vemos. Ele para as devidas explicações e inserir Môa na história da música e dos afoxés.

Há muita diversidade musical, para mostrar sua amplitude, e sua generosidade em deixar que outros cantarem suas músicas pelo ‘bem’ do movimento. E isso vai ocorrendo por décadas. E mesmo quando ele muda de carreira ou tenta aprimorar sua técnica, sua personalidade é a mesma, para deixar claro os motivos dele ser conhecido por grandes nomes da música.

Claro que trabalhar o legado a partir de uma tragédia, faz o filme ir para outros caminhos em alguns momentos, mas ele sabe voltar aos atos mais tranquilos e seguros com leveza, sem perder os elementos musicais e principalmente da música negra que Môa é um dos grandes representantes. 


Môa, Raiz Afro Mãe é plural, usa Môa para trazer diversas histórias e sua importância para o Afoxés Badauê na Bahia e Amigos do Katendê. E pode ser uma porta de entrada para quem quer conhecer não só a pessoa, mas todo o movimento musical. E ele não esquece do legado, mesmo com aquela montagem clássica de documentário.

Nota: 3/5

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