Cinema, Crítica de Filme

| Kobra: Auto Retrato | Crítica

Kobra: Auto Retrato foca no artista antes de suas obras, um ótima porta de entrada para quem conhece os murais e não o realizador. Confira a crítica completa.

Em uma noite de insônia, Kobra revê sua vida desde a infância difícil na periferia até o sucesso mundial como muralista, os acontecimentos se desenrolam entre a realidade e o sonho. Desde o grafite ilegal nas ruas de São Paulo até pintar grandes murais em mais de 30 países, Kobra representa tantos outros em suas batalhas, passa a entender a arte de rua como voz política e democrática. 

O documentário de Lina Chamie (Santos de Todos Os Gols) faz algo raro em biografias, em trazer o biografado contando sua história em frente à câmera, e sem ninguém falando da sua relação com o representado. Temos aqui, Kobra contado a sua história para o espectador, pensando principalmente naquele que conhece sua obra e pouco a pessoa.

Essa contação de história é mantida pelas obras que são mostradas enquanto ele fala, como se fosse o passado se encontrando com o presente a todo tempo. Kobra conta sua história principalmente, seja na infância quando pichava os muros ou na criação de seu apelido, o lado humano do documentário começa aqui e pouco se perde pela trama.

E vamos conhecendo a sua história antes das obras que conquistaram o mundo, mostrando que ele tem uma origem humilde e que a arte sempre fez parte da sua forma de ver o mundo, e a diretora também expõem as rebeldias de adolescentes, para dar aquela sensação de imperfeição que precisamos ter.

A trama principal segue a linearidade da história de vida, e pouco das obras criadas, por mais que ficamos vendo os grandes painéis criados por Kobra, o foco sempre é a sua história e sua forma de perceber a arte. 

Conforme avançamos vamos enfim conhecendo o Kobra artista que sai de um pichador para um grandes murais que se tornaram pontos turísticos pela cidade. Ele fala sobre suas escolhas e inspirações, principalmente quando ele começa a ser convidado a pintar fora do Brasil.

Até mesmo a difícil fase escolar onde ele não se encontrava, tem sua parte na história, junto com a depressão, mesmo sendo algo contado, sem imagens da época, temos uma trama intensa e com diversos momentos falando de seus problemas, sempre com clareza.

O colorido tradicional do artista é incorporado nas falas, mostrando as escolhas que ele costuma ter para montar suas obras, e como ele quer trazer algo para novas gerações, principalmente quando fala de seu filho. 

O documentário pode até perder intensidade por justamente ficar da mesma forma desde que ele começa, e sempre ter a mesma tomada, o que até pode pode trazer algum cansaço para o espectador, mas a união entre arte e as trilhas usadas sempre dispersam este sentimento.

Kobra: Auto Retrato não é uma história sobre os painéis, e os recordes, e sim dos artistas antes das obras. Para quem conhece o mural e não quem o fez, não há melhor lugar para começar. 

Nota: 3/5

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