Cinema, Crítica de Filme

| Noites de Paris | Crítica

Em um filme cheio de intimidades, aproveitando as relações criadas a cada novo ato. Noites de Paris mostra que a vida só precisa de ajustes nos momentos ruins. Confira a crítica completa.

Todos passamos por momentos ruins nas nossas vidas, seja profissionalmente ou pessoalmente, e demoramos a entender que isso é passageiro, que temos que nos libertar das amarras do tempo e buscar a felicidade em outros lugares. Esse é o ponto principal de Noites de Paris de Mikhaël Hers (Amanda)

O longa se passa, ou  começa, na noite das eleições de 1981, as comemorações se espalham pelas ruas e há um ar de esperança e mudança em Paris. Mas para Elisabeth (Charlotte Gainsbourg), seu casamento está chegando ao fim e agora ela terá que sustentar a si mesma e seus dois filhos adolescentes. Ela encontra trabalho em um programa de rádio noturno e encontra uma adolescente problemática chamada Talulah (Noée Abita), a quem ela convida para sua casa. Com eles, Talulah experimenta o calor de uma família pela primeira vez. Embora ela desapareça de repente, seu espírito livre tem uma influência duradoura. Elisabeth e seus filhos ganham confiança e começam a correr riscos, mudando a trajetória de suas vidas.

O roteiro busca justamente falar desses reencontros que temos que fazer com nossas próprias personas, e a jornada aqui preserva justamente isso, a necessidade de buscar a sanidade mental durante um período difícil, sem previsão de acabar. Principalmente os resultados que as mudanças geram.

Essas trocas que poderiam ser agressivas de alguma forma, para dar agilidade ao filme, são montadas com leveza e sempre com diálogos para deixar os sentimentos, do personagens em cena acertados. Mesmo com algumas passagens de tempo incertas, há uma preocupação de mostrar as sensações de todos em cena.

A trama também aproveita a diferença de idade, e a relação de mãe e filhos para explorar os problemas de cada faixa etária e responsabilidade, em diversos momentos. E mesmo sendo um longa de uma década passada, como se relacionam em meio às conversas, e as decisões entre eles possuem pontos reais.

Esses diversos ajustes de rotinas que todos têm que fazer pela narrativa, mostra como temos que seguir transformando a nós mesmos para mudar como encaramos a vida. Mesmo com o enfoque preferencialmente na mãe, a história trabalha as diferentes personalidades dos filhos para mostrar novos pontos de vista.

E estes novos relacionamentos que vão nascendo pelos atos é primoroso, por justamente manter a suavidade da introdução dos elementos, que fazem sentido pelas escolhas dos personagens, pode até ter poucas surpresas, mas ele sabe como trazer novas informações.

Esse crescimento que o filme propõe não é esperado, pelo ritmo imposto nos primeiros atos, ele age como se quisesse entrar no coração do espectador aos poucos, cena a cena, sem pressa. Sem precisar de um arco dramático pontuado como um ponto de virada.


Noites de Paris pode inicialmente ser mais um filme de conexão, reencontros e de família, mas a história aqui presente, mostra que mudar de vida passa primeiro pelas pessoas e uma busca interna.

Nota: 4/5

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