Cinema, Crítica de Filme

| Cordialmente Teus | Crítica

Como muitas narrativas e histórias paralelas, Cordialmente Teus usa os excessos para mostrar diferentes pontos na história. Confira a crítica a crítica completa.

Dez histórias ou uma só. Dez momentos na linha do tempo: 1972, 1999, 1550, 2083, 1891, 2012, 1618 – e uma mesma realidade: a violência dando a cara final às relações no Brasil. Uma revolta de escravizados numa fazenda de café, a tortura de um indígena, o sequestro de um embaixador, judeus se escondendo da Inquisição, uma torturada que revê seu torturador na plateia para a qual conta o crime cometido por ele, pai e filho conversando durante a Segunda Guerra, uma viúva que perdeu tudo na Encilhada e é forçada a se casar e perder a liberdade.

O longa dirigido por Aimar Labaki é um filme diferente na proposta, afinal temos um longa linear, mas com diversas transições de tempo entre as cenas. E ainda temos o adendo de não termos repetições dos atores e atrizes, então se prepare para uma viagem. 

As épocas inicialmente parecem deslocadas, por terem uma passagem de tempo elevada, por exemplo, há uma movimentação de 1999 para 1550, mas são nos diálogos e nas transições que percebemos que essas escolhas temporais tem seus motivos, que mudam, mas possuem um centro narrativo.

As cenas em cada época, são um espetáculo à parte. Seja pelos diálogos, ou pelo local que ocorre, há muitos detalhes em cada uma delas. É perceptível como há cuidados para que tudo ocorra da forma correta. A forma fluida com o diretor traz as cenas, com cortes precisos que mantêm o diálogo, mas movimenta os personagens em um cenário imenso, mesmo nos momentos que ocorrem no ‘externo’, há a mesma preocupação, do céu azul da praia, das tochas que iluminam o diálogo.

Mesmo com bons momentos, é um longa cansativo, com muita informação sendo colocada no espectador a cada troca de tempo. Por isso os primeiros atos, são melhores que os próximos. Estes excessos incomodam a longo prazo, mesmo que eles sejam bem filmados.

É difícil destacar uma atuação específica, já que quando você começa a criar empatia pelo ator/atriz há uma troca temporal, mas não dá para dizer que há algum ponto negativo neste ponto também, há muita propriedade dos que estão em cena, com diálogos fortes e condizentes. 

As sociedades mostradas juntos com os seus preconceitos e momentos chave é outro acerto, para trazer toda a crescência de uma sociedade que hoje está tão polarizada e cheia das mesmas coisas que cenas mais antigas trazem, seja pelo dinheiro, a posição social ou a polarização de poderes, mesmo sem citar nomes, o longa se apega ao passado para falar do presente do Brasil.

Os temas apresentados em Cordialmente Teus transitam em elementos, mas possuem um foco intenso, mesmo com a cena seguinte acaba indo para outro caminho narrativo, ele pouco se perde, mesmo com o cansaço que temos ao final do filme, há uma preocupação na história central.

O longa pode até ter seus problemas com os excessos de tramas ou de anos aplicados, mas mantém a fidelidade a estrutura de filmagem e a sua forma de contar a história, o resultado final acaba surpreendendo.

Nota: 2/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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