Cinema, Crítica de Filme

| Última Cidade | Crítica

Última Cidade usa o pretexto da distopia e do cangaço para discutir a busca pela melhora de vida. Confira a crítica completa.

O filme dirigido por Victor Furtado, conta a história de João (Julio Adrião), montado no seu cavalo Cruzeiro, e na companhia de um andarilho chamado Tahiel (Hector Briones), adentra uma grande cidade do nordeste brasileiro para enfrentar aquele que tomou suas terras e acabou com sua família.

A logística aqui é simples, um road movie onde dois personagens buscam a mesma informação e com o andar da história vamos descobrindo sobre eles, porém o roteiro de Thiago Mendonça e do próprio diretor (E outras colaborações) para trazer muitos elementos, e mesmo com a temática distópica do filme, há bastante realidade no que é apresentado.

A história segue por um caminho simples e linear, e são nos pontos de parada da viagem, digamos assim, percebemos a potência que é Última Cidade pelos temas que apresenta. Claro, que muitos são colocados de acordo com a sociedade apresentada, mas há semelhanças.

As trilhas pesadas e altas nos ajudam a embarcar nas tramas e na sociedade mostradas neste filme, principalmente nos sonhos em meio ao ‘deserto’ de João, e mesmo nas ‘maluquices’ temos simplicidade na forma que vemos tudo. A execução simples de tudo é outro ponto que chama a atenção no filme. 

Mesmo com o clichê de termos uma dupla de protagonista com personalidades distintas, os dois em cena produzem bons diálogos, com profundidade e agregando com a narrativa principal. 

A cadência de Última Cidade é grande, afinal temos uma narrativa linear e com uma crescência admirável, afinal pouco sabemos de como a viagem irá seguir, e quem aparecerá no caminho. Claro que a distopia ajuda neste sentido, mas não espere narrativas seguras.

As cenas de alucinações ou de delírios de João, também saem da estrutura básica, com imagens impressionantes das dunas da região,  com algumas referências sim para filmes apocalípticos, mas há bastante brasilidade nas escolhas.

Até mesmo informações nos atos finais tem elementos voltados para fazer críticas a alguns modelos capitalistas, com os seus grandes arranha-céus e a salvação sempre ser um grande centro ou capital. 

Última Cidade também se importa em não ter resoluções de ‘final feliz’ ou esperadas. Por isso ele choca o espectador em cenas, como a duelo, e de como encontrar seu sonho pode não ser toda a maravilha do mundo. 

O longa entende o que quer criticar, e o coloca na tela, aos poucos e com crescência. E como é bom ver um filme nacional que usa o conhecemos de longas apocalípticos e de viagem para mostrar o retrato atual, sem precisar um nome ou algum elemento. 

Que grata surpresa é este filme.

Nota: 4/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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