Cinema, Crítica de Filme

| O Telefone Preto | Crítica

Ao invés do medo do paranormal, O Telefone Preto fala do medo real, aliado a grande presença de cena de Ethan Hawke e dos diálogos pertinentes das crianças. 

Crédito: Universal Pictures

O filme se passa em em 1978, onde uma série de sequestros estão acontecendo na cidade de Denver. Grabbler (Ethan Hawke), um serial killer que tem seu alvo crianças do bairro. Finney Shaw (Manson Thames), um garoto de 13 anos, é sequestrado. o garoto acorda em um porão, onde há apenas uma cama e um telefone preto em uma das paredes. Quando o aparelho toca, o garoto consegue ouvir a voz das vítimas anteriores do assassino, e elas tentam evitar que o Finney sofra o mesmo destino. Enquanto isso, sua irmã Gwen (Madeleine McGraw) tem sonhos que indicam o lugar onde ele pode estar.

Não há nada de sobrenatural no filme dirigido por Scott Derrickson (Doutor Estranho e A Entidade) ele usa o medo relacionado às possíveis ações de Grabbler para assustar o espectador. Então se você acha que vai se assustar durante a trama, pode esquecer. O roteiro está preocupado em entrar na sua cabeça e deixar preocupado com o futuro.

A presença corporal de Ethan Hawke é precisa, pensando que ele não tem muito tempo de tela comparado com as crianças, mas o roteiro sabe utilizar sua potência para outros motivos, seja para movimentar a história e trazer novos elementos, afinal vemos a história pelo cativeiro de Finney.

As crianças se mostram diferentes dos filmes deste tipo, por justamente fugir de alguns estereótipos e terem diálogos fortes e contundentes. A irmã do protagonista por exemplo, fala de religião e de alguns preceitos que raramente são abordados dessa forma. 

The Grabber (Ethan Hawke) e Finney Shaw (Mason Thames). Crédito: Universal Pictures

A construção linear da narrativa e do uso das vítimas é o que pouco se destaca, já que o espectador entende que cada nova ‘voz’ será para agregar uma nova forma de Finney sobreviver. Claro, mantém a narrativa engrenada, porém não são grandes cenas. 

Não temos medo das vozes, e sim do sequestrador. O medo aqui é real e tem uma máscara. Ethan consegue se impor cada vez que está em cena, as máscaras que demonstram suas emoções, uma voz para cada ocasião e uma atmosfera densa e angustiante. 

Por causa da linearidade a tensão é construída lentamente, chegando ao ápice nos atos finais, logicamente. Como a montagem privilegia as diversas subtramas, o final mantém essa estrutura. Temos diversos desfechos ocorrendo ao mesmo tempo, em um ritmo diferente.

Crédito: Universal Pictures

A história baseada no conto de Joe Hill (Tempo Estranho, Nosferatu e Carrossel Sombrio) é mais abrangente no sentido de dar mais espaço ao que ocorre fora do porão, mas tem sua estrutura preservada. 


O Telefone Preto se destaca das outras produções do gênero, por sair do lado sobrenatural o máximo possível e traz o medo real, com um serial killer que pode existir em nosso mundo. E isso é mais assustador.

Nota: 4/5

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