Cinema, Crítica de Filme

| As Verdades | Crítica

As Verdades mostra um crime com um retrato brasileiro, mas impressiona na montagem dos atos e na contação de história. Confira a crítica completa.

No filme dirigido por José Eduardo Belmonte (Alemão 2), o policial Josué (Lázaro Ramos) tem que resolver um crime contra o empresário Valmir (Zécarlos Machado), em um pequeno município do sertão. A história acontece através de três pontos de vista. Primeiro: o crime é contado por Cícero (Thomas Aquino), um matador de aluguel. Segundo: a história é narrada pelo ponto de vista de Francisca (Bianca Bin), a noiva do empresário. Terceiro: é revelado o ponto de vista de Valmir, que sobreviveu. 

O filme nacional que vai abordar este crime, já possui esse diferencial logo nos primeiros atos, já que o crime ocorre logo após a apresentação dos personagens. E a forma com que vemos tudo isso é primoroso na tela, já que ele busca trazer a mesma história, com os mesmos pontos, com sincronia impressionante. Mesmo o espectador mais atento, terá dificuldade de encontrar diferentes pontos, ao ver o mesmo crime por três vieses 

E além disso o roteiro de Pedro Furtado (Mulheres Apaixonadas) sabe aprofundar as camadas dos personagens principais, mostrando que há um passado entre eles, e até um interesse amoroso de Josué cresce durante a investigação. No início de As Verdades parece um filme de crime comum, mas ele é maior que isso.

O regionalismo não está apenas por ser um estado do Nordeste, mas por ter uma narrativa brasileira comum em locais mais afastados dos grandes centros. Temos um arco de realidade muito próximo a nós, por mais que o filme se inspire em outros longas de resolução de crimes. A história aqui é brasileira.

O grande destaque é o crescimento de elementos conforme conhecemos os personagens, suas ambições e o seus envolvimentos no crime. Entendemos o passado e o presente de cada um. Mesmo os personagens coadjuvantes tem camadas para serem exploradas.

As atuações também são uma grande ferramenta para criar a atmosfera que precisamos aqui. Lázaro e Bianca se destacam por justamente serem o casal protagonista que possuem um passado, mas quem realmente está em um grande papel é Drica Moraes que faz a mãe de Francisca. O arco dela, que parecia ser secundário, tem um o melhor desenvolvimento dentro da trama.

As filmagens em Salvador trazem o aspecto certo para a trama, facilita o processo de empatia do espectador para a história. Principalmente pelo arco político de Valmir, de como ele ascende na pequena cidade e se torna amado e odiado. Não é difícil encontrar algo assim no Brasil. 

As filmagens são certeiras para trazer os pontos de vistas, temos quase as mesmas cenas com a narração de quem conta. A mudança de plano e a montagem final tem detalhes milimétricos, que ajudam no momento de plantar a dúvida no espectador.

Mesmo com as boas atuações, o roteiro se apoia no arco amoroso entre Josué e Francisca, por mais que Lázaro e Bianca estejam bem em seus papéis, alguns momentos entre os dois pouco agregam. 


As Verdades é um bom exemplo de como uma boa história se bem contada, não só entretém, mas como serve como uma referência de como fazer. E se ainda tiver uma história que condiz com o país, melhor ainda.

Nota: 3/5

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