Cinema, Crítica de Filme

| The Batman | Crítica

Matt Reeves e Robert Pattinson trouxeram uma nova versão do Batman aos cinemas. E eles acertam em detalhes que os outros filmes nem pensaram em adaptar.

Um dos grandes personagens da DC Comics, o Batman já recebeu diversas versões para os cinemas e televisão, ou seja, é impossível esquecer a série clássica da década de 60, e a trilogia de Christopher Nolan que chegou a estabelecer o Coringa definitivo de Heath Ledger, mas como a franquia James Bond já demonstrou, sempre haverá um novo ator e diretor para trazer o Homem Morcego para novas aventuras. Dessa vez temos o diretor Matt Reeves (Planeta dos Macacos) e Robert Pattinson (O Diabo de Cada Dia) como Bruce Wayne/Batman. E eles trouxeram elementos que os filmes anteriores, até mesmo Nolan, não adaptaram ainda.

A história que vemos não adapta nenhum arco em específico, e sim elementos destes quadrinhos. Como o fato de termos um ‘Ano Dois’ adaptado aqui, Batman está defendendo Gotham City, mas por causa do pouco tempo, ainda é visto como um vigilante. E o comissário Gordon (Jeffrey Wright) o incluí em alguns momentos, seja pelo Batsinal, ou quando os crimes o citam, como o que o Charada tem feito.

O longa busca trazer as sombras e Gotham como um personagem, a fotografia usa as sombras, como um elemento da narrativa. Como se imaginássemos que o Batman pudesse sair delas a qualquer momento, e por termos muitas cenas noturnas e com diversos inimigos para serem impedidos. 

Charada (Paul Dano) é a grande ameaça deste filme, mas a dosagem de subtramas e os problemas que vão aparecendo diminuem sua abordagem, isso acaba contribuindo para um filme longo e informativo. Essas pausas entre os atos nos ajudam a entender o novo Bruce Wayne e seus motivos para assumir o manto, sem precisar de uma cena da morte de seus pais e flashbacks. 

O roteiro é amplo, busca entender a sociedade de Gotham e principalmente a abordagem do novo Homem morcego, ele não é espalhafatoso como os Batman anteriores, e pouco depende de seus apetrechos tecnológicos. Ele não tem medo de brigar com capangas para mostrar sua força e capacidade ante Pinguim (Colin Farrell, irreconhecível pela maquiagem) e Carmine Falcone (John Turturro). O longa busca também uma abordagem menos fantástica e mais urbana.

Isso também reflete na personalidade imposta por Pattinson, ele não sorri, mas consegue impor capacidade física, sentimentos que entendemos apenas ao olhar para seu rosto. E inclusive mostra sua dependência em ser o Batman, de como ele entende que pode ser o legado da família, ao resolver os problemas como o homem morcego e não como Bruce Wayne. Esse deve o filme que vemos menos o playboy e mais o vigilante, se pensarmos em tempo de tela.

E a inexperiência do vigilante se torna algo importante aqui, já que ele tem dificuldades em parar o Charada e seus planos. Não temos aqui uma resolução amigável dos eventos, ele é superior em boa parte dos eventos, deixando Batman um passo atrás. Temos apenas um vislumbre do grande detetive que o personagem é, mas ainda sim, é maior do que comparado aos outros filmes. O fato de vermos um ‘ano dois’ influencia o roteiro. 

A fotografia e trilhas sonoras são impactantes, seja por uso preciso, por usar as sobras como uma porta de entrada do Batman. As trilhas apresentadas em trailer e materiais de divulgação são usadas aqui, e são ligadas aos eventos do filme.

Batman ter dificuldades aqui, mostram como ele está em desenvolvimento, e The Batman é uma grande porta de apresentação da nova versão do personagem. E o fato dele estar ‘fora’ do que a DC Comics apresentou nos cinemas acabou sendo o grande trunfo do roteiro, e temos aqui um ‘Batmanverso’ mais concreto do que a Liga da Justiça. Não seria nenhuma surpresa se outros heróis sejam adaptados aqui esquecendo a narrativa dos cinemas.

The Batman é um grande acerto, precisa sim de ajustes, mas é preciso e competente do que pretende mostrar. E acaba sendo imprescindível ver essa nova versão de Bruce Wayne nos cinemas. 

Nota: 4/5

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