Cinema, Crítica de Filme

| Fortaleza Hotel | Crítica

Fortaleza Hotel usa as relações dos personagens para mostrar diversos lados da vida, e como temos que tomar decisões difíceis. 

Pilar (Clébia Sousa), uma jovem camareira de hotel, tem seu caminho cruzado por uma hóspede sul-coreana chamada Shin (Lee Young-Lan). Os planos de ambas começam a dar errado e, apesar de tudo que as separa, acabam se aproximando e estabelecendo uma intensa relação de solidariedade, buscando encontrar, uma na outra, a solução para seus problemas. 

Armando Praça (Greta) traz novamente uma narrativa de convívio, mas dessa vez ele é mais plural, pois temos Pilar lidando com diversos personagens e responsabilidades. Ela precisa lidar com o emprego, a viagem para o exterior, a relação conturbada com a filha e ajudar Shin pelo Brasil

Essas mudanças exigem trocas de personalidades, como somos em nossas vidas, afinal somos diferentes de acordo com que estamos convivendo, por isso a atuação de Clebia tem chamado a atenção, de como ela muda de persona dependo da personagem em cena.

Crédito: Jorge Silvestre

Essa mudança também se dá pelo fato do roteiro de Isadora Rodrigues e Pedro Cândido que trabalha cada momento em arcos diferentes, Pilar precisa lidar com muitas informações ao mesmo tempo, mas ela trabalha pouco a pouco. Isso também acaba mostrando sua rotina com mais clareza, principalmente a situação financeira da família. 

O nome fala de Fortaleza, mas não espere os principais pontos turísticos ou planos clássicos do nascer e pôr do sol, por termos uma protagonista humilde, temos um longa que busca os lugares mais simples da cidade, e também mostram a realidade do local, como a violência dos morros e a busca de uma melhoria de vida. 

Mesmo com a jornada da protagonista bem marcada, Shin possui seus próprios anseios a serem resolvidos, afinal falamos de uma senhora que se viu obrigada em deixar a própria casa e país, para sepultar o marido que cometeu suicídio. A trama busca explicar como tudo ocorre, sua jornada e todos os percalços que algo como isso pode acarretar na personalidade. 

Crédito: Jorge Silvestre

E as duas precisam lidar com situações distintas, e numa possível amizade uma tenta dar apoio a outra, e com isso vamos conhecendo melhor as duas, e como elas se resolvem, com os andamentos do filme. 

As jornadas acabam sofrendo com o balanceamento do filme, como há um protagonismo claro, Shin fica restrita a poucas cenas nos atos finais, mesmo com boa presença no início do longa, isso acaba minando a mulher forte que Shin mostra quando a conhecemos, como Clébia surpreende em suas cenas, não é de todo ruim essa diminuição, digamos assim.

As filmagens, além de usar outros lugares de Fortaleza, transitam entre planos diferentes para mostrar os diferentes locais onde a história se passa, movimentando a trama, mas novamente focado nas personagens. As relações continuam sendo o ponto forte, e mesmo em atos finais se mantém. 

Armando tem excessos aqui, que comprometem os atos finais, não o longa como resultado. Temos uma narrativa intensa, pautada pela atuação impecável de Clébia e bem executada em boa parte do filme. Um bom filme de relações, apesar de tudo.

Nota: 3/5

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