Animação, Crítica de Filme

| Bob Cuspe – Nós não Gostamos de gente | Crítica

A animação stop motion baseada nos personagens de Angeli, além de ser uma grande história, está qualificada para disputar o Oscar. Confira a crítica completa.

O velho punk Bob Cuspe tenta escapar de um deserto pós-apocalíptico que, na verdade, é um purgatório dentro da mente de seu criador, o cartunista Angeli, que passa por uma crise criativa.

A animação stop motion Cesar Cabral mostra não só os personagens de Angeli em uma nova abordagem, como também mostra o cartunista de uma forma diferente, afinal não é sempre que vemos uma referência nos quadrinhos tendo uma crise existencial, que implica em na dificuldade de realizar novas histórias.

O roteiro de Leandro Maciel e do próprio, também sabe utilizar a gama de personagens criados, usando como pano de fundo entrevistas que o quadrinista está realizando, então tempos um passeio pela sua obra, seus personagens e uma linha do tempo. Tudo isso contado de uma forma indireta. Mesmo quem tem pouco conhecimento do artista e sua obra, consegue se conectar à história.

O trabalho na animação é primoroso e detalhista, não só por capturar a essência de cada dos personagens, mas por trazer diversos detalhes nos cenários, se preocupar com as expressões apresentadas, além de uma narrativa que sabe utilizar o que Angeli criou. 

Dar o protagonismo a Bob Cuspe é um acerto também, seja pela personalidade punk, e sua capacidade de realizar os conflitos a sua forma. As interações com Rê Bordosa, os vilões, que são pequenos Elton John’s com garras e dentes, e os momentos de Angeli, são bem orquestrados.

A história também faz algumas analogias e descritivos da obra de Angeli, por causa das entrevistas, faz uma pequena homenagem a sua obra e seu processo criativo. E como estamos vendo a mesma história pelo criador e criatura, temos resoluções diferentes, mas que fazem sentido ao que ocorre. E a interseção entre elas é precisa.

Claro que falta sabermos até que pontos essas narrativas são reais ou são fazem parte de ideias não ficcionais, mas isso é que faz de Bob Cuspe tão interessante, de dar uma nova história e ao mesmo tempo fazer sentido do que Angeli pensa dos seus personagens. 

A escolha de vozes é precisa, Milhem Cortaz (Tropa de Elite) traz uma rouquidão e um grave perfeito para o personagem título, Grace Gionoukas (Haja Coração) traz o tom certo para Rê Bordosa, e tantos outros que souberam não só vocalizar os personagens, como trazem novos elementos para as criações de Angeli.

A narrativa que une tanto os pensamentos de Angeli quanto o que ocorre com os personagens, entretém por justamente balancear essas duas tramas e como elas se influenciam de algumas fora. Fora o trabalho primoroso e detalhista do stop motion que mostra um novo viés de Bob Cuspe.

Nota 4/5

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