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| Seus Olhos Dizem | Crítica

Em um bom drama, com diversas mudanças da narrativa. Seu Olhos Dizem encanta pela história, mas tem alguns tropeços pelo caminho. Confira a crítica completa. 

Yuriko Yoshitaka interpreta Akari, uma jovem cuja vida é transformada após um acidente, no qual perde os pais e a visão. Enquanto tenta se adaptar à uma nova vida, encontra Rui (Ryûsei Yokohama), um promissor ex-lutador, que abandonou o mundo do crime, e tenta levar uma vida honesta trabalhando num estacionamento. É lá que ele conhece a moça, que costumava visitar um amigo que trabalhava no local.

Takahiro Miki (“Sensei!”, “Crianças na Encosta”) traz uma narrativa densa, com diversas jornadas de transformação no protagonista principalmente. Essas mudanças levam tempo e ocorrem conforme as interações com Akari. Enquanto não temos um grande arco para um, o segundo tem mudanças mais significativas. 

O roteiro baseia sua história na simplicidade, de quando nós mudamos para agradar alguém, já que começamos a não ligar muito para a nossa própria aparência. A introdução de Akari funciona como se fosse um raio de luz na vida do protagonista. E depois dessa injeção de ânimo é que vamos entendendo melhor o filme.

Essa inversão é interessante no sentido de atos, primeiro conhecemos o personagem e seu passado, para depois entendermos suas interações. Ao trocar a ordem dos eventos, aumenta a carga dramática conforme novas informações do protagonista são reveladas. E como vamos descobrindo aos poucos, também aumenta a tensão do ambiente e como serão resolvidos os próximos atos. 

Ryûsei Yokohama é o grande destaque da atuação justamente por isso, por ele conseguir absorver as camadas de seu personagem aos poucos, entregando diferentes níveis de interpretação a cada novo elemento introduzido sobre o seu passado. E claro, é nítida a diferença que vemos de quando ele conhece Akari (Yuriko Yoshitaka).

Mesmo com os avanços do filme, a trama se mantém jovem, de um casal que se encontram ao acaso e buscam uma relação mais próxima. Esse acaba sendo o principal problema de Seu Olhos Dizem, de ter uma montagem diferente, mas acaba se prendendo a clichês de filmes adolescentes/jovens para manter sua história funcionando, aquele velho sentimento de ‘tudo dará certo’ permanece aqui.

Os mundos diferentes proporcionados pelos protagonistas consegue trazer elementos diferentes para cada momento, de como a garota com ausência de visão tem alguns detalhes da rotina diferentes e como o protagonista tem um passado mais obscuro, do que imaginamos quando o conhecemos na primeira cena. 

O drama aponta em elementos diferentes, principalmente pela sua estrutura diferente, como a fotografia que se adapta ao que ocorre em tela, as cores mudam com sentimento em cena, há um uso de cores mais quentes quando eles estão juntos e cores mais frias, quando o passado do protagonista é explorado.

Seu Olhos Dizem mostra como um drama de outro país pode ser diferente, e como você pode contar a sua história subvertendo elementos básicos.  Mesmo se perdendo nos clichês esperados do gênero, temos um bom filme. E protagonistas que transferem verdade ao que vemos na telona. 

Nota 3/5

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Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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