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| O Homem que Vendeu Sua pele | Crítica

Em um filme que usa a arte para explicar conceitos como refugiados, liberdade de ir e vir, e a busca do amor. O homem que vendeu sua pele se mostra mais complexo do que simplesmente um homem com as costas tatuada.

O filme acompanha Sam Ali (Yahya Mahayni), um jovem sírio sensível e impulsivo que trocou seu país pelo Líbano para escapar da guerra. Para poder viajar para a Europa e recuperar o amor de sua vida, ele aceita ter suas costas tatuadas por um dos artistas contemporâneos mais cultuados do mundo. Transformando seu próprio corpo em uma obra de arte de prestígio, Sam perceberá, entretanto, que sua decisão pode significar qualquer coisa, menos liberdade.

A diretora Kaouther Ben Hania usa um elemento diferente, mas de simples execução, as costas tatuadas de Sam Ali (Yahya Mahayni) para trazer um filme complexo, com muitos assuntos a serem tratados conforme avançamos na narrativa. Isso também pelas cenas intensas de Yahya e sua forma de romper o sistema.

O direito de ir e vir, ou de sair de seu país com os seus direitos civis preservados não ocorre em todos os lugares, Sam é um refugiado sírio que não consegue ficar com a mulher com que se apaixona, a oportunidade oferecida pelo excêntrico artista é sua chance de liberdade, e de reconquistar seu amor.

O longa não parece complexo em seus primeiros atos, afinal é apenas a narrativa de um homem que percebe a oportunidade de ter uma vida melhor de uma forma lícita. O roteiro escrito pela própria diretora, começa então a colocar temas mais complexos a partir do avanço da história e quando conhecemos melhor o protagonista inquieto.

Até mesmo o conceito de arte é colocado no filme, afinal uma tatuagem, por mais polêmica que seja, é considerada uma obra de arte. E pode ser exibida em museus. E quando a ‘arte’ é bem tratada, com hospedagem em bons hotéis e viagens sem custos pela Europa, é considerado um trabalho, como qualquer outro. A sutileza com que vemos temas tão complicados são elogiáveis.

Yahya Mahayni traz muita intensidade e variedade a seu Sam Ali, seja por buscar a mulher da sua vida, realizar seu trabalho e ser transgressor quando há uma chance. O longa flutua entre os temas com facilidade, e o ator consegue compreender isso. Não à toa, o ator sírio venceu na categoria de melhor ator no Festival de Cannes. E mesmo assim, queremos ser amigo de Sam.

Não é comum encontrarmos uma obra que consegue explorar tantos pontos, com alguma profundidade. A história tem sim muitas cenas ligadas à arte, mas os diálogos carregados e muitas vezes pontuais, lembram os motivos de estarmos vendo este filme. Ele não busca as futilidades dos colecionadores e sim abordar este mundo com a dosagem certa de drama.


A filmagem de Kaouther Ben Hania é segura e fidedigna para os temas que o seu filme busca abordar. Ele pode não ter nada de especial neste ponto, mas o destaque são as histórias mostradas, que transformam O homem que vendeu sua pele em algo fora do comum em diversos sentidos.

Nota: 4/5

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Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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