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| Dora e Gabriel | Crítica

Em um filme claustrofóbico e carregado de diálogos. Dora e Gabriel de Ugo Giorgetti trabalha bem a tensão de uma experiência traumática. Confira a crítica completa.

Um carro trafega à noite no centro da cidade de São Paulo por uma rua comercial deserta de pedestres. Ao parar num sinal, o motorista é detido por dois assaltantes armados. Ele mal consegue ver o que está acontecendo quando é jogado no porta-malas do seu carro e logo ganha companhia.

O longa nacional lembra a estética de Enterrado Vivo (2010) onde temos uma abordagem de um único personagem em um local claustrofóbico, porém aqui temos a grande diferença de termos um casal desconhecido em um porta-malas. E a narrativa usa esse desconhecimento para nos manter na trama.

O casal é protagonizado por Ary França (Uma Quase Dupla) e Natalia Gonsales (A Última Dança), onde estão juntos desde a primeira cena e vamos conhecendo eles a cada novo diálogo. O diretor usa enquadramentos fechados para aumentar a tensão e conseguimos perceber nos atores, o desconforto com tudo isso.

Como já estamos imersos nessa realidade desde a primeira cena, cabe aos diálogos e pequenas movimentações mudarem os rumos da história, e o roteiro do próprio diretor aborda assuntos diversos para manter o espectador, desde o fato de Gabriel ser imigrante a assuntos religiosos. 

O filme não muda sua abordagem, e consegue até brincar com conceitos de tempo, afinal não temos como saber com exatidão a quanto tempo, os protagonistas estão nesta situação, a caracterização deles relativas de solução também auxilia na produção.

Os atores, além de responderem bem aos diálogos, passam naturalidade e apreensão. E também estão desconfortáveis com tudo que ocorre. Eles transitam entre os gêneros com facilidade, deixam a narrativa mais completa.

Esse único ponto de vista é pouco modificado, os pontos de virada pouco agregam a trama, pois eles fogem da realidade colocada dentro dos diálogos do porta-malas, trazendo até elementos de uma distorção por causa do trauma, mas adicionam pouco, continuamos no escuro depois dela.

Dora e Gabriel mantêm os diálogos intensos no começo, e eles começam a perder seu sentido, se tornando justificativas fáceis, ou momentos até mesmo constrangedores. Prejudica a qualidade final por justamente não manter a mesma estrutura.

Mesmo com estes problemas, o longa é imersivo e pautado na realidade. E aliado a grande atuação dos protagonistas, mostram um boa história.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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