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| Reação em Cadeia | Crítica

Reação em Cadeia de Márcio Garcia tem boas intenções e bons arcos, mas esbarra em clichês políticos para explicar sua história. Confira a crítica completa.

Guilherme (Bruno Gissoni) leva uma vida pacata e normal, é um bom marido, ótimo pai e o auditor que qualquer empresa sonha em ter. Mas, ele descobre um desfalque na empresa onde trabalha e se envolve numa rede de corrupção que abastece o sistema político brasileiro. Seu reencontro com Lara (Monique Alfradique), sua grande paixão da adolescência, vai mudar o rumo de seu destino.

Viver no Brasil é conviver com elementos de corrupção que não se resolvem, não importando qual figura está no poder. Reação em Cadeia de Márcio Garcia busca trazer algum elemento de resolução aos problemas políticos, a sua forma, para tentar um ar mais leve ao brasileiro, porém ele acaba esbarrando em alguns clichês do gênero para resolver seus problemas.

Bruno Gissoni está muito bem em seu papel, ele consegue oscilar entre as personalidades do seu personagem, e principalmente poder perceber que pode fazer a diferença e decidir executar. O alento está aqui, de mostrar uma pessoa comum que entra em um esquema e que decide por contra própria entregar à polícia.

O longa traz essa narrativa presa a núcleos definidos e utilizados em momentos chave, onde o protagonista faz a ligação entre eles. O roteiro de Thiago Dottori (Turma da Mônica: Laços) e do próprio diretor, usa isso para uma construção de narrativa carregadas de elementos, mas como a transição entre eles é fluída, explicando alguns motivos do longa ter recebido este nome.

Mesmo carregado de conceitos políticos, o longa ainda transita entre gêneros com a mesma facilidade que percebemos na troca de núcleos. Consegue ter cenas de ação bem filmadas, como muita proximidade e as cenas que mostram os elementos do tráfico para introduzir os personagens de Monique Alfradique e André Baikoff mesmo que pontuais, agregam a trama.

Mesmo com o longa esbarrando em clichês principalmente nos atos finais para ganhar mais ritmo e conseguir acelerar os eventos, temos aqui uma boa história com uma abordagem de fatos acima da média, por conseguir mudar de gênero e tipo de cenas com cortes simples e diretos.

Márcio traz um retrato brasileiro comum para seu filme, não há como não identificar as fases de corrupção que o país passa ao assistir sua história, ele consegue trazer muito reconhecimento e principalmente não cita um governante real para isso, as ações, momentos e diálogos falam por si. 

A construção de atos não só atualizam alguns motivos de entendermos o nome do filme, mas como essa história linear tem grandes desfechos nos seus pontos de virada. Além de dar ao protagonista uma ‘alma de herói’ por defender a mocinha e ainda entregar o esquema. E tudo é apresentado de uma forma congruente, mal percebemos o tempo passar.

Essa alma de salvador da pátria não é perfeita, afinal ele comete seus erros pelo caminho, isso é interessante, não só para afastar um excesso de superioridade do protagonista perante os outros, mas para deixar claro que até os homens bons cometem erros, aqui temos até um delito um pouco mais grave.


Reação em Cadeia mostra a capacidade brasileira de contar uma história com elementos presentes no nosso país, falha apenas em se apoiar em respostas rápidas para dar ritmo, mas fora isso é um bom filme nacional.

Nota: 3/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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