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| Hava, Maryam, Ayesha | Crítica

Em um longa curto que aborda o machismo no Oriente Médio, Hava, Maryam, Ayesha consegue ser um filme plural mesmo com três protagonistas diferentes falando sobre o mesmo assunto. Confira a crítica completa.

O longa do Afeganistão mostra-se um drama tradicional quando somos apresentados as três mulheres que dão nome ao filme. Hava (Arezoo Ariapoor) uma mulher grávida que vive na casa dos sogros, onde ela é maltratada pelo sogro. Maryam (Fereshta Afshar) uma mulher forte que luta para se divorciar e para leis contra o aborto sejam criadas e homologadas, e Ayesha (Hasiba Ebrahimi) foi apaixonada por um rapaz que a deixou, e agora enfrenta a pressão para se casar com o próprio primo, por quem não tem sentimentos.

Depois das apresentações seguras entendemos as intenções da diretora Sahraa Karimi que usa as três personagens para mostrar um retrato do país e usar cada uma das mulheres para dar um detalhe diferente para o público. É um mosaico de informações, que aos poucos vão se unindo em uma narrativa profunda e rica.

Por ter protagonistas distintas inicialmente, há também um cuidado na fotografia de deixar as relações mais pessoais, temos uso de luz natural, enquadramentos que privilegiam as atrizes e sem nada colorido para tentar alguma leveza as cenas. Há um cuidado claro em deixar tudo próximo ao real.

É interessante perceber como o filme traz três personalidades, cobrindo três classes sociais, três faixas de idade e três conflitos independentes, mesmo com a única similaridade de ter suas relações com os homens, o roteiro mostra situações diferentes, já que temos mães, mulheres casadas e filhas na narrativa principal, não chega a ter repetição de formas de histórias.

Há também um posicionamento claro das personagens em todos os momentos, em uma abordagem simples, já que ela busca nas atitudes das mulheres as respostas ao que ocorre, mesmo com estrutura de contos, onde vamos vendo uma a uma, a carga emocional e diálogos não esmiúça em nenhum momento.

Abordar o machismo no Oriente Médio é algo comum em filmes destes países, mas como Sahraa é diferente da forma que estamos acostumados, já que temos uma diversidade de camadas sobre o mesmo assunto. E não temos isso centralizado a um personagem, os homens aqui mostram muitas faces do mesmo problema.

Mesmo sendo um filme forte, com narrativas pensadas e executadas dentro do espectro real, temos apenas 90 minutos de filme. Mesmo sendo um longa plural sobre um único assunto, há algumas facilitações de diálogos para justamente se fechar as narrativas e se concluir a história.

As histórias isoladas já dariam um bom filme, mas fazê-lo plural e com mais personagens e elementos é que destaca Hava, Maryam, Ayesha do lugar comum. E mesmo sendo rápido, ele cumpre o que promete ao apresentar otrio de protagonistas.

Mesmo com atalhos criados nos filmes, o longa é um retrato dos problemas do Afeganistão de uma forma real e sem precisar de arcos dramáticos pautados e extremos. É nas histórias e os dilemas das três mulheres que ele se apoia se o fazem se destacar perante os outros filmes do país.

Nota: 4/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

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Twitter: @PareceSerio

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

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