Ir para conteúdo

| Edna | Crítica

Em um filme poético e mostrando uma realidade de perto, Edna de Eryk Rocha traz uma história real, aproveitando bem o passado, presente e futuro da protagonista.

À beira da rodovia Transbrasiliana, Edna vive em uma terra em ruínas, construída sobre massacres. Criada apenas pela mãe, ela experimenta, no corpo e nos corpos de seus descendentes, as marcas de uma guerra que nunca acabou: a guerra pela terra.

Eryk Rocha (Breve Miragem de Sol) tem algumas marcas em seus filmes, como a de uma câmera próxima aos protagonistas e uma filmagem ‘trêmula’ já que temos muitas movimentações de cenas. Em Edna temos uma linguagem diferente, até mesmo poética se você preferir, com planos abertos, filme em preto e branco e com muitas cenas contemplativas.

A protagonista é uma pessoa real, com uma história que ‘dá um filme’, então vamos conhecendo sua história pela narrativa proposta, que busca mostrar as diferentes faces de Edna, seja no seu comércio ou nos cadernos onde ela faz diversas anotações ou quando ela conta sobre a terra que vive.

A história que vemos aqui não segue uma linearidade, no sentido de começo, meio e fim, e sim de uma forma de mostrar diversas histórias em cenas distintas, aproveitando a capacidade de Eryk de contar histórias, aqui é diferente do que esperamos, mas em nenhum momento, perdemos em qualidade.

A BR-153, também conhecida pelos nomes de Rodovia Transbrasiliana e de Rodovia Belém-Brasília, é a quinta maior rodovia do Brasil, que liga o sul do Brasil ao Nordeste, então temos muitas passagens de pessoas por Edna e ela com sua simplicidade e forma de contar, vamos conhecendo os casos, mas o longa foca nos problemas de terra que a protagonista fala indiretamente para a câmera. E aliado a isso diversos planos abertos para os redores da protagonista.

O longa também usa as opiniões expressas por Edna e outros personagens reais que estão ao seu redor, e elas são pertinentes ao que ocorre, mostrando que eles têm consciência do que os rodeia e sabem se posicionar. O filme escolheu a história correta, mostra que também sabe trabalhar a empatia com o espectador. E aqui basta um bom diálogo, sem um arco dramático de um ator/atriz.

As tomadas abertas do diretor não são apenas para o entorno, há também os planos detalhes para os cadernos e dos personagens, há claramente um cuidado de trabalhar as imagens, já que elas não necessariamente se linkam com os diálogos em sequência. As cenas em questão conseguem ser mais contemplativas do que auxiliar na história em si.

E isso acaba se tornando o problema de ‘Edna’, pois quando entendemos a história e a como a veremos, algumas tomadas parecem iguais, já que algumas trazem elementos parecidos, acaba gerando algum cansaço e desconforto no espectador. A montagem teve alguns problemas em alguns atos.

E mergulhar na rotina de Edna traz algum marasmo para história, não devido as falas dela, mas por trazer uma rotina simples, sem grandes reviravoltas. O que ela fala é poderoso e com grande significado, mas o local em si retrata simplicidade, claro que o temos formas diferentes de mostrar essas imagens, mas o lugar é o mesmo. Um dos desafios do filme também foi esse.

Edna traz uma forma diferente de vermos o cineasta Eryk Rocha, mas continuamos vendo sua habilidade de mostrar histórias, e com uma forma de captação de imagens, aliado a uma fotografia preto e branco traz realidade e empatia para a narrativa.

*Filme visto no Festival É Tudo Verdade

Nota: 4/5

Contato: naoparecemaseserio@gmail.com

Facebook: facebook.com/naoparecemaseserio

Instagram: @npmes

Bruno Simioni Cunha Ver tudo

Biólogo, estudante de jornalismo, cinéfilo e nerd que adora dividir conhecimento

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: